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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

23.Set.21

Tombando com estrondo...

historiasabeirario
O outono chegou com o vigor do inverno, na Aldeia do Mato a biblioteca com as portas fechadas, a disponibilizar histórias aos leitores audazes que queiram enfrentar a chuva impelida pelo vento. Na cabeça do viajante das viagens e andanças, passam imagens de histórias a voar, arrancadas da sua árvore, pairando no ar, indo na direcção das habitações dos leitores. Tombando com estrondo nas portas, avisando-os que estão ali, que as leiam, que as arremessam aos vizinhos, que (...)
21.Set.21

O vento leva tudo...

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O vento leva tudo, despenteia os cabelos do leitor, desgrenha as folhas dos jornais, entra e sai violentamente na biblioteca ambulante. As copas das árvores debruçam-se, assim ficam sem conseguirem aprumarem-se. As histórias encolhidas nas estantes ouvem os assobios do vento, tanto que agora só querem ir dançar, rodopiar na ventania, ao som agudo da passagem do ar por entre as folhas. Este momento de festa não é para qualquer um, no seu lugar o viajante das viagens e andanças, (...)
20.Set.21

Um partir e regressar...

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Os campos estão adormecidos a esta hora da manhã, a velhice é perceptível na cor das folhas das videiras, a colheita da uvas já foram. Agora é tempo da fermentação antes da trasfega, para depois se entregar ao amadurecimento até o vinho se tornar bebível. Os raios solares ao tocarem na ramagem gem de algumas árvores, tornam-se resplandecentes, estão assim, e à medida que os dias avançam, os campos a ficarem ornados a ouro. Pelo cacarejar da galinha, acabou de pôr um ovo, (...)
17.Set.21

Saíram leitores...

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A biblioteca ambulante está em estado de pausa debaixo do grande plátano na aldeia do Vale Zebrinho, o ar invade o espaço, inquietantando as histórias. O som penetrante do vento atravessando a copa da velha árvore, assemelha-se a um suspiro de alívio, uma convocação, finalmente a sua sombra tem utilidade. A pouca densidade populacional da aldeia não traz pessoas ao redor da imponente árvore, só a biblioteca ambulante poderá incluir esperança. Os sussurros do vento trouxeram (...)
17.Set.21

Até os que nunca...

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O panorama visto do cimo do coreto inacabado, de aparência agradável, alcança a margem sul do rio, o casario ao redor do adro da igreja, a biblioteca ambulante. Ali estão as histórias que nunca se cansam das viagens sucessivas ao encontro de quem as queira ler, na demanda de leitores principiantes. Até os que nunca se afeiçoaram às folhas onde estão impressas as letras que formam as palavras, são bem vindos. As portas estão sempre abertas a todos, compareçam, nem que seja só (...)
15.Set.21

Permanecem connosco...

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A padeira que vende o pão, o viajante das viagens e andanças com letras que cede as histórias sem pedir nada em troca, estão sempre no limitado largo São João de Brito, na aldeia do Tubaral. Uma traz o papo-seco, a carcaça, a broa de milho, o pão alentejano, o pão de centeio, o pão de Deus, o caracol. Nem sempre os há, mas quando estão adicionados, os bolos, o rim, o palmier, o guardanapo, a bola de Berlim, o mil folhas e o pastel de nata, são cobiçados de um modo (...)
14.Set.21

De outra força moral

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Debaixo da chuva, com o barulho ensurdecedor dos pingos grossos a soar nos ouvidos do viajante das viagens e andanças, assim foram as deslocações no primeiro período do dia pelas aldeias da Foz, Água Travessa e Chaminé. Apesar da tempestade que se abateu, os leitores apresentaram-se com as histórias para devolver, abrigados no interior da biblioteca ambulante, dialogavam, adoptando novas histórias para lerem até ao próximo regresso às suas aldeias. Agora, de tarde, o sol é um (...)
10.Set.21

A vindimar histórias...

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A vindimar histórias, um cacho, bago a bago, espremer até ao sumo, assim se devoram as histórias, as uvas. São horas em pé, apoiado sobre os calcanhares, de tesoura na mão, cortando o cordão que une o cacho à planta. Sentado, deitado, na postura que mais lhe servir, a separar, folha a folha, a ler a comprimir palavras e frases. Uns aproveitarão o líquido derivado das uvas espezinhadas, outros ganham saberes adquiridos na leitura. A simultaneidade é possível quando a (...)
09.Set.21

Não existe regularidade...

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Não existe regularidade na leitura, exceptuando uma escassa minoria nas aldeias da minha terra, é com prazer que o viajante das viagens e andanças oferece o jornal local, só para os observar a ler. Alguns estão debruçados de tal modo, parece que querem engolir as letras, mal se lhes vê o rosto. Sabem decifrar o conteúdo escrito, muitas vezes o movimento dos lábios a soletrar expõem a ausência da leitura no quotidiano destas pessoas. Ou mesmo a dificuldade na capacidade de (...)
08.Set.21

As histórias...

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O meio de transporte na qual estão as histórias não abranda, a consequência de contínuas viagens pelas aldeias da minha terra estimula o desgaste de alguns componentes que mantêm o veículo em andamento. Foi o que aconteceu hoje no início de outro percurso, um pneumático não estava em condições de percorrer a sucessão de acontecimentos que o esperavam nas estradas das viagens e andanças. Assim houve necessidade de recorrer a alguém que se dedica exclusivamente a operar com (...)