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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

30.Abr.18

Lareiras e salamandras

Nas minhas costas, o sol esconde-se, o intervalo até Alvega, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, foi curto. As águas do ribeiro deixam-me perplexo, pela fugacidade demonstrada no seu estreito leito. Está esfriando, aproveitando os escassos raios do sol, alguns aldeões encontram-se na esplanada do café, são jovens, os velhos não se avistam, possivelmente abrigados nas suas casas, onde lareiras e salamandras ainda cintilam.

30.Abr.18

Sem descanso

Acabo de chegar ao meu destino nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, com a chuva a partir, por pouco colidíamos. A sua passagem deixou o asfalto ensopado, pequenos lagos a evitar, para não ter surpresas. À minha espera estavam os cunhados, com os livros nos sacos para devolver, conversamos, saíram, cada um à sua vida, mas iam livros de histórias de suspense e aventuras, que farão as páginas dos mesmos, virar sem descanso, até não haver mais!

30.Abr.18

1986

1986, série escrita por Nuno Markl, a ser transmitida na RTP , fez-me entrar na máquina do tempo, retroceder uns anos, numa viagem para voltar à memória dos meus anos oitenta. também houve eleições presidenciais, General Soares Carneiro, tendo como opositor outro General, Ramalho Eanes, no mesmo período ocorreu a morte trágica de Sá Carneiro em Camarate ao dirigir-se à cidade do Porto, a um comício de apoio a Soares Carneiro. Abrantes foi palco de alguns comícios, onde políticos se deslocaram até cá para receberem ajuda dos abrantinos. O edifício da antiga assembleia foi sede política de apoio aos partidos da AD, dali partia-se em carros que originavam caravanas, percorrendo as estradas do concelho, a logística e estratégias da colagem de cartazes, também tinha o seu ponto de partida no mesmo local. As noites quentes no verão, pejadas de jovens, cada qual na sua tribo, no muro da vergonha. A única loja de discos que Abrantes teve, Mike Louis, na rua do Arcediago. Obrigado Miguel! Foste um autêntico amigo e vendedor de artigos de primeira necessidade. As noites a ouvir na Rádio Comercial o programa Som da Frente, onde António Sérgio, punha a tocar as novidades geradas na cidade de Manchester. As discotecas de Abrantes nos fins de semana, as festas de verão nas aldeias até de madrugada. Fiz o serviço militar, houve as temporadas em Lisboa, as idas ao cinema, sessões contínuas no Quarteto, discotecas outra vez, foi uma juventude inquieta. No último ano da década casei, foi o culminar de emoções, aventuras com amigos, muitos dos quais não vejo há imenso tempo e de quem tenho saudades. Viajando novamente até à actualidade, conduzo uma máquina do tempo nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, foi importante até aos anos oitenta, onde terminou a função ao serviço da Fundação Calouste Gulbenkien, tendo a CMA a brilhante ideia, já nesta década, traze-la de novo para beneficio de todos aqueles que têm necessidade de consultar outras máquinas do tempo, nas viagens do passado, perspectivado as futuras, são os livros e todos os outros suportes. Obrigado Nuno!

30.Abr.18

Carregador de histórias

 

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Aqui e ali, num curto pedaço de tempo nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, até ao Pego, sou espectador de uma variedade de aves a debicar na terra fresca, bovinos a pastar na ervas tenras, até a própria terra está entusiasmada, matando a sede onde a água ainda não se dissipou.Pequenas flores abundam nalguns locais, desencadiando nos meus sentidos uma alegria por ser um felizardo, percorrer as aldeias, à semelhança de um almocreve, carregador de histórias, um dador de sonhos, estimulando que não sejam esquecidos, todos estes que visito diáriamente.

 

30.Abr.18

Gisele e Hugo

Gisele, Hugo e outras antes são depressões atmosféricas que nos tornaram desatentos nas últimas semanas, em relação ao ressurgimento da primavera. Está instalada no território, apesar de andar envergonhada, as plantas têm as suas pequenas flores despertas para os dias mais longos que aí vêm. As árvores de fruto vão floreando, mais perto do verão os seus frutos estarão aptos para serem colhidos. Não obstante de andarmos com o mau estar do tempo que nos assolou, as terras ainda não absorveram toda a água caída, haverá mais alguma instabilidade climatérica, devemos continuar rumando nas viagens que encontramos diáriamente. As viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, são um exemplo, a paisagem onde ocorre os seus itinerários vai-se alterando pela acção do homem, quer pela da natureza. Florestas destruídas pelo fogo, leitos das ribeiras mais alargados derivado das enxurradas, o rio Zêzere excessivamente gordo, panoramas modificados, tudo é novo nesta viagem até à aldeia da Carreira do Mato.

 

30.Abr.18

Motivar as aldeias

Na horta, uma moto enxada realiza o seu trabalho lavrando a terra, empurrada pelo homem, com algum esforço a faz mover, tornando o solo de uma cor castanha escura. As suas rodas dentadas movem a terra, formando um longo e direito rego com alguma profundidade, onde se irão alojar as sementes. Lá em baixo o rio tem as suas águas paradas, tão apertado que está dentro do leito. As gotas geradas pelo orvalho da madrugada, cintilam nas folhas das árvores, quando atigindas pelos raios solares, o chilrear itenso das árvores, o esvoaçar estonteante, advinham dias incansáveis. São estes os sons, a mobilidade, produzida na aldeia da Bairrada, nesta manhã primaveril nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, é a actividade que se pode ter, embora o potencial para outros géneros de acção está cá, nesta e noutras, haja quem queira apoiar e motivar as aldeias.

 

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30.Abr.18

Sons da aldeia

Cruzei a ponte para a margem sul, o rio voltou a encolher os terrenos que o ladeiam, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, na direcção da aldeia da Chaminé. As ribeiras continuam pujantes, as lagoas gordas e com as bordas renovadas. Resguardado na sombra, a tarde é igual à do dia anterior, sufocante, os sons da aldeia estão no auge, as melodias vindas das aves, o ladrar distante dos cães, aldeões nem de longe nem de perto, se deixam ver. Estão sentados nas sombras frescas, nos quintais das suas habitações, olhando vagamente para lado nenhum, absortos no seu isolamento, esperando que o sol se recolha, irem à janta e deitarem-se com as galinhas. Matei a sede na fonte, no início a sua água quente, ficou rapidamente fria, as minhas mãos em concha acolheram-na até ficar saciado, e me sentir liberto do calor...! Na estrada novamente, na longa recta que antecede a aldeia do meu destino, Água Travessa, observo a charneca verdejante e colorida, não conseguiu absorver a maioria dos charcos formados pelas águas das chuvas. A pluviosidade é muita este ano, a terra ficou embriagada de tal maneira, que já não quer mais, a sua longa ressaca atinge quem a queira cultivar.

 

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29.Abr.18

O coreto

Estacionado, encostado ao coreto no largo principal de Alvega outrora sala de espectáculos local. Outros o foram em cidades, vilas, e aldeias, erigidos nas praças públicas, jardins, apresentavam bandas filarmónicas em concertos musicais. Aos domingos, famílias reuniam-se à sua volta, ouvindo, dançando ao som dos instrumentos, a pequenada corria livremente nas brincadeiras, havia quem levasse lanche e refrescos. Actualmente estão em desuso, na sua maioria resguardam no interior, materiais diversos utilizados por cantoneiros, na limpeza das ruas. O sol aquece-me excessivamente as costas, agora que se posiciona para a descida, a biblioteca ambulante, aguarda que venham visita-la, os livros estão impacientes, para ser folheados, lidos, explorados. Alguns esquecidos nas casas para onde foram, em cima de mesas, nos sofás, nos quartos, querem voltar para junto dos outros, irem para outros lares, com outras histórias. Tragam-nos, devagar a correr, de carro a pé, mas venham.

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