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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Ler, ouvir e ver

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Outra manhã fria, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra até à aldeia da Foz, cuja toponímia terá origem numa alusão à ribeira do Vale da Sanguinheira na ribeira de Muge (D.T. E. C. A., Eduardo Campos e Joaquim Candeias da Silva). Exposto ao sol o dia todo, este território faz fronteira com o concelho da Chamusca, roça o norte alentejano, e penetra no Ribatejo mais profundo e selvagem. Aqui o montado impera, o pinhal e eucaliptal escasseiam. O trajecto foi transposto com sol, nos campos os locais mais escondidos estão com geada originando lindos tapetes. O odor da cortiça escaldada, a cantoria dos pássaros, tudo num conjunto de sentidos que a biblioteca ambulante percorre, mas também possui para quem queira, ler, ouvir e ver.

Nas asas do vento

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Pela estrada fora, sobressaindo na paisagem a cor amarela, tive como companheiro o vento, não vim nas suas asas, foi a biblioteca ambulante que me trouxe nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Desta vez calhou a aldeia da Foz, as cegonhas permanecem nos seus ninhos, aconchegando os ovos, na esperança que os pintos saiam plenos de energia e possam aprender a voar nas asas do vento!

 

 

 

Poeta maldito

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Mais uma tarde nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, o calor libertado pelo astro rei sufoca quem percorre este território. Na aldeia da Concavada nasceu António Botto em 1897, filho de uma família de escassos recursos, seu pai foi mestre de barcos no rio Tejo, indo ainda pequeno viver para Lisboa. Poeta maldito, assim julgado à época, pelas suas atitudes e comportamentos desviantes para uma sociedade excessivamente religiosa e maioritariamente analfabeta. Veio a falecer no Brasil, vitíma de um atropelamento em 1959. Os seus restos mortais, só em 1965 chegaram a Portugal, sendo sepultado numa gaveta funerària no Cemitério dos Prazeres em Lisboa.

Esquecimento da aldeia

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Início de mais uma semana cheia de viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, tarde com sol não obstante o vento a tentar corromper. Os murmúrios vão e vêm na aldeia da Concavada, alguns aldeões vagueiam sem sentido, como se tivessem todo o tempo do resto das suas vidas, liberto de preocupações. Tradicionalmente a população da Concavada sustenta que o topónimo da aldeia teve origem nuns Cuncas que vieram à região fazer uma cavada, para depois aqui se fixarem. E argumentam até, que actualmente ainda existam pessoas com este apelido (D. T. E. C. A.). Sentadas num banco, duas mulheres conversam, porventura do seu quotidiano, dos seus hábitos, dos filhos que possam estar desempregados, os netos, a interioridade o esquecimento da aldeia, que à semelhança de tantas  outras está sujeita ao mesmo.

Comércio ao ar livre

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Nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, os campos conservam ainda um pouco do orvalho da madrugada, enquanto o sol na sua progressão estende os seus braços, os quais atingindo-me dão-me conforto. O largo da aldeia do Tubaral, hoje transformou-se num centro de comércio ao ar livre, onde os aldeões têm a possibilidade de adquirir uma variedade de produtos destinados ao seu consumo. A biblioteca ambulante, tem nos livros que transporta, um conjunto de histórias todas diferenciadas, para o uso e gosto de qualquer leitor.

Continuar a sua progressão

16681479_10208176602720951_2577102834173845989_n.jNovamente as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, na aldeia de vale Zebrinho cujo topónimo tem origem geográfica (D.T.E.C.A.). O sol anda por aí escondido, interrompendo a neblusidade em espaços de curta duração. As pequenas aves saltitam de ramo em ramo, ao mesmo tempo as suas melodias abafam todos os outros sons que possam ocorrer. O inverno ou o que sobra dele continua teimosamente sobrepondo-se à estação actual, o que não impede a natureza e todos os seus ecossistemas de continuar a sua progressão normal.