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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

31.Out.18

Assim tem sucedido

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 A manhã anunciava, a tarde confirma, mais um dia de chuva nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. A biblioteca ambulante rumou à aldeia do Brunheirinho debaixo de um tecto de nuvens tristes, prestes a chorarem, alcançada a aldeia de Bemposta, logo depois avista-se o Casal da Bica, por sinal bastante activo, um tractor arando a terra, enquanto cavalos e ovelhas não deixam a erva fresca raiar. Na aldeia, o sol enfrenta com galhardia o cerrado grupo de partículas de água. Bem queria a biblioteca que uma multidão assim se abeirasse das histórias, aqui são poucos os habitantes e os que lêm quase nenhuns. Mesmo assim um ou outro ainda vem, a teimosia de tornar a voltar nos itinerários das viagens e andanças irá dar proveito, assim tem sucedido

30.Out.18

Condições de ser encontrada

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 Na aldeia de Bicas faz frio, o ar está saturado do odor da lenha que se queima nas lareiras. Mesmo assim a biblioteca ambulante mantém as portas abertas com confiança de que surja algum leitor(a), as histórias apoiadas umas nas outras defendem-se do abaixamento da temperatura, talvez por isso os aldeões demoram a escapar de suas casas. As viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, seguiram até à aldeia de São Miguel do Rio Torto, a biblioteca escondeu-se nas ruas da povoação, ali está a Casa do Povo, suspendeu a marcha, esperou, a rua manteve-se sempre deserta, nem vivalma. Novamente nas ruas, desembocando no grande largo recentemente requalificado, perto do café do Vicente, estaciono no local  do costume. Agora mais destapada, a biblioteca tem condições de ser encontrada.

30.Out.18

Viagem a pé pela Travessa dos Besteiros

 

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Todos os dias passamos no automóvel ou a caminhar por ela, desantentos, apressados, nos pensamentos, nos afazeres, não temos tempo de encontrar a Travessa, actualmento Beco, com o topónimo de Besteiros. Fica defronte do antigo Posto da PSP, numa manhã das mais frias deste outono, emprendi a caminhada até ao que ainda resta da antiga rua. Não dei mais que dez passos, para lá, para cá, girar à direita, girar à esquerda, está visto. Demorei-me a olhar a janela do quintal, pouco depois as portadas de madeira abriram-se, recuei alguns séculos. A antiga rua na sua época de fulgor, lá vinham as freiras, dali, só podia ser do Mosteiro Velho. Os soldados armados das suas bestas, marchavam vindos da fortaleza, patrulham as ruas da vila, o fidalgo vem a pé puxando a sua montada, a pouca largura da rua assim o obriga, para segurança de quem anda a pé. Olhem, dois mareantes aproximam-se, vêm da direcção do rio, pela cor dos rostos, andaram vários meses no mar, talvez anos na descoberta de novas terras, capitaneados por grandes navegadores, nas costas carregam grandes sacos. Ali vai o almocreve com todo o cuidado, orientando o burro atrelando uma pequena carroça, o vento alterou-se, as portadas da janela fecharam-se com estrondo. Voltei ao presente, a viagem no tempo foi curta, tal como a rua foi. Foi tapada pelo lado da Rua Nova em 7 de Agosto de 1733... que ela Catarina do Avelar Cabreira, tinha tomado de aforamento infatoizim pera sempre ao senado da Camera desta ditta villa huma travessa chamada dos besteiros que corria da Rua Grande por entre os quintais das casas sobre dittas pera a parte da Rua Nova... ( Toponímia abrantina, Eduardo Campos; 2ª edição revista e aumentada,1989 ). Assim está há duzentos e oitenta e cinco anos, ao voltarem a transitar na Rua de Santos e Silva ( antiga Rua Grande ), abrandem um pouco, olhem para o que resta duma rua com história, onde os abrantinos do passado não deram dez passos mas milhares por esta rua.

29.Out.18

Neste bem estar

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 A manhã teve um início colorido, a tarde uma tonalidade mais cinzenta tornou o resto do dia cheio de incertezas. Tirando isto, as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra regressaram à normalidade, a biblioteca ambulante com uma energia renovada rumou à aldeia da Barrada, dando a conhecer uma história nova da Lídia Jorge. A noite tomará o dia mais cedo, faz frio, a primeira lenha já está preparada nas lareiras, mais logo o fogo produzido pela sua queima aquecerá os aldeões. Alguns poderão estar neste bem estar lendo, contando, ouvindo as histórias.

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