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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

29.Mar.19

Sem derrapagem

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Sem derrapagens as histórias voltaram nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra á Atalaia. A existência aqui segue o rumo normal, pouca gente mas expansivas, hortas bem cuidadas confiando na precipitação prevista no fim de semana, segundo a meteorologia. As histórias repetem a viagem efectuada vinte dias antes, com a esperança redobrada no aparecimento de novos leitores(as), nesta restituição do percurso algumas paisagens estão sendo alteradas, pequenas parcelas de floresta desapareceram, ao longo da estrada de um lado e outro, corredores de matagal e árvores são desflorestados, prevenindo  possibilidades de ignição. Na biblioteca ambulante são as histórias que exigem a "desfolhação" nos suportes onde estão introduzidas, facilitando a reciclagem de mentes curiosas, famintas de saber mais, e as menos desenvolvidas.

28.Mar.19

As histórias suplicam

 

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O vendaval ofensivo que se fez sentir nos dias anteriores abrandou, embora o sopro continue a provocar a oscilação da ramagem das àrvores. As viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra rumaram ás margens do rio Zêzere, na Aldeia do Mato. O som da betoneira, logo depois a colher impulsionada pela mão do pedreiro atirando o cimento ao encontro da parede de tijolo e a passagem da talocha a espalhar a massa, são os sons perto da biblioteca ambulante. A aldeia adapta-se às exigências actuais sem defraudar as estruturas mais antigas, indício de que o local permanece activo. As histórias suplicam por leitores, as férias da Páscoa estão próximas, a garotada irá calcorrear esta e outras ruas da aldeia. Se o tempo permitir a praia fluvial será um dos destinos favoritos, virá gente de outros lugares, a aldeia reconhecerá.

27.Mar.19

A ventania continua

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A ventania continua nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, no lugar de Coalhos a biblioteca ambulante foi recebida por uma adolescente avestruz sob o olhar atento da sua progenitora. Na Quinta dos Plátanos, o amor dos proprietários pelos animais, leva-os a alojar várias espécies de diversos continentes. O casario da localidade prolonga-se ladeando a estrada de um lado e outro, extensas hortas intercalam com algum vinhedo, mais á frente o pinhal que se avista demarca o território. Local de passagem, maioritariamente são veículos agrícolas, apoio fundamental destes poucos habitantes no seu trabalho diário. Uma vez por outra rompe uma leitora, idosas, viúvas, sós, encontram na biblioteca, e na leitura das histórias companhia para as horas de mais recolhimento. Os mais novos passam ao lado, no entanto espreitam, desviando rapidamente a cabeça quando os interrogo com o olhar. Existe curiosidade, mas o acanhamento sobrepõe-se ainda mais que a própria falta de tempo, como alguns afirmam.

26.Mar.19

À boleia do vento

 

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O sopro violento do vento traz estardalhaços, reflexos, palavras, histórias boas e más de acontecimentos. A impetuosidade revolta o cabelo de quem anda na rua, acorda quem tem o sono leve, faz voar a biblioteca ambulante nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. O céu embaciado por uma débil camada de nuvens impede os raios solares de fulminar os aldeões na aldeia de Sentieiras. Nas charnecas, as plantas silvestres descaradas revelam as flores, a giesta a carqueja dominam com a cor amarela. A esteva só agora inicia a sua expansão, brevemente a cor branca predominará a integralidade dos terrenos do território. Uma outra rasteira, cuja cor da flor é roxa enfeita as bermas altas que ladeiam a estrada. A vivacidade demonstrada neste ambiente traz esperança ás histórias itinerantes, atira os aldeões para fora de suas casas, os terrenos de cultivo atestam de plantas jovens, árvores de fruto vaidosas de tanto ornamento nos seus ramos. Estamos perante um período de renascimento, meditação, de retroceder para voltar a realizar de novo e melhor. As aldeias preparam-se para o que aí vem na religiosidade nos afectos familiares no convívio. A biblioteca ambulante, traz a confiança com a sua presença, a sabedoria de todos aqueles(as) que com a sua escrita transmitem verdades, imaginação e cantam as palavras. À boleia do vento partilhem as histórias, abram os livros para que o ar em movimento leve as letras as palavras os enredos a todos os que andam desatentos.

 

 

 

25.Mar.19

Ser invasiva

 

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No lugar de Sentieiras do Souto a ribeira corre alegre, na direcção do cada vez mais afastado braço do rio Zêzere que ali chega. Encolhe-se o braço, estende-se a terra e continuará assim se não houver precipitação abundante. O mais certo é que a ligação do rio com o seu afluente se perca definitivamente até ás próximas chuvas no próximo outono. A biblioteca ambulante nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, testemunha o enchimento das ribeiras onde as suas águas rápidamente desaguam nos rios que atravessam este território, assim como o esvaziar dos mesmos devido à ausência da queda de água da atmosfera. A relação das histórias com os leitores é semelhante, tanto se apressam na direcção da biblioteca na demanda de histórias, como retardam a sua vinda na busca de outras e novas histórias. São altos e baixos, o equilíbrio é essencial na continuidade das viagens, o vínculo não se pode desperdiçar, mesmo afastados temporariamente a biblioteca ambulante tem de progredir, ser invasiva nos lugares e aldeias do seu itinerário.

24.Mar.19

Passeio a pé ao Largo de S. Pedro

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O crepúsculo trouxe-me ao antigo adro da Igreja de S. Pedro, actual Largo, a antiga igreja estava edificada neste local em 1731. Um adro atravessado por fiéis, talvez até palco de arraiais em honra do santo padroeiro, em 1946 o templo foi demolido ( Toponímia abrantina, Eduardo Campos, ed. 1989 ). São os automóveis que o invadem nos dias de hoje, outro estrado foi edificado nos anos cinquenta, o Teatro com o mesmo nome do largo, foram muitos os anos em que as películas não pararam de rodar nas bobines, muitos abrantinos se envolveram nos dramas, nas aventuras e comédias das sessões de cinema. O teatro e outros espectáculos de entretenimento continuaram a animar as noites do largo trazendo gente do concelho e outros lugares, o momento actual do edifício é expectante no que se refere ao seu futuro, mas a história deste largo dá garantias de que o que virá, será positivo para todos. O odor das flores das glicíneas está presente, embora não as consiga avistar, as casas em redor do largo estão velhas e desabitadas, tenho esperança que já falta pouco para voltarem a ter famílias, até mesmo que o largo volte a ser um espaço de lazer e não de estacionamento automóvel. Visitem este local que foi originariamente piedoso, mas acabou por se entregar aos talentos da representação.

22.Mar.19

Não abraçam as histórias

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Outro dia nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, a biblioteca ambulante rumou até à aldeia de Martinchel, onde lá em baixo se ergue a parede que interrompe a água de chegar normalmente do rio Zêzere ao seu destino, o rio Tejo. Não é a única desde a sua nascente, mas é a que o torna mais barrigudo, lugar previligiado para praticar desportos naúticos, as histórias ficam afastadas, estão no centro da aldeia onde a passagem dos automóveis na estrada que a divide não tem fim. A temperatura um pouco subida é freada por algumas golfadas de vento, de vez em quando surge para relembrar que a primavera ainda está no seu início. Tem momentos em que rompem montados em bicicletas, miúdos para beber água na fonte, as brincadeiras provoca-lhes secura. Não abraçam as histórias expostas, que vêm ao encontro deles e doutros, a interrupção das aulas em protesto por melhores condições dos não docentes provocou este alvoroço na aldeia. A impaciência das histórias não os apoquenta, nem a curiosidade de invadir, permanecer na biblioteca, atravessar o seu universo de um lado ao outro preenchido por letras que nos ensinam.

 

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