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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Completar o dia a ler

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Após se ter demorado na aldeia de Martinchel, onde nada aconteceu, a bibliotecca ambulante partiu nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra á aldeia do Carvalhal. Ao contrário da primeira, onde o trânsito automóvel não se esgota, a biblioteca parou numa rua sossegada, encostada ao posto de saúde, aproveitando a sombra. Mais um pouco, não tarda a surgir, vinda da sua casa, aqui ao lado, a Sulamita com uma história para devolver. Se a memória não me atraiçoar foi das primeiras a tornar-se leitora, meses depois foi a sua avó a render-se, esta tem preferência pelas revistas de bordados e culinária. O ar fresco que corre, torna-me mais activo, não fico colado ao banco derretendo, sem reacção, bocejando várias vezes, até um leitor me salvar com a sua presença, de me transformar numa criatura inanimada. Aconteceu ontem na aldeia do Vale das Mós, não fosse o José entrar de rompante com as histórias dele e do filho para restituir. Logo se entabulou conversa para o resto da tarde, enquanto os seus olhos percorriam as estantes sedentos de história novas, o diálogo avançava, parava, quando questionava por um título, um autor, um filme. Obtendo a resposta, novamente a conversação continuava, ao ponto de se ouvir uma buzina soando na rua, foi espreitar, o filho dentro do carro, desalentado pelo calor aguardava por ele. Teimou em terminar o que estavamos a falar, só depois pegou nas histórias e lá foi cheio de vontade para completar o dia a ler.

Melhores condições aos confinantes

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Quinhentos anos após a tua morte Leonardo, no mesmo dia do mês de Maio a biblioteca ambulante nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, está estacionada numa pequena aldeia roçando o alentejo. No seu interior o viajante aguenta os 34º graus de temperatura, a partir de agora será sempre a subir. Não sei a temperatura que fazia neste dia há cinco séculos atrás, no dia da tua partida, possivelmente seria semelhante. Tu que também foste um viajante aventureiro deves ter percorrido  inúmeras aldeias e lugares, á semelhança da biblioteca ambulante, cativaste os locais com a tua arte e ensinamentos. A bibloteca amarra-os com as histórias, incluindo a tua história, a tua época. Lutaste contra mentes retrogadas, que colocavam Deus acima de tudo, mas também tiveste apoio e mecenas que te financiaram, te deram oportunidade de criares, construires e experimentares. A biblioteca ambulante luta contra a desertificação populacional, contra a ausência dos que ficaram, contra mentes teimosas, encalhadas nos egos e ideologias. Com a tua insistência venceste e convenceste, tenho esperança que a biblioteca com a sua dedicação e persistência consiga ultrapassar obstáculos e continuar a dar mais e melhores condições aos confinantes deste território.

Leonardo da Vinci e nós

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Leonardo da Vinci, pintor, arquitecto, músico, engenheiro, matemático, anatomista, inventor, escritor, astrólogo, até construtor de cenários nalgumas cortes da altura, Milão foi uma entre muitas, aventureiro, continua a ser um homem do nosso tempo. Pelas obras de arte, disputadas por colecionadores e museus, mais recentemente na origem da destibilazação diplomática entre a Itália e França nas comemorações dos 500 anos da sua morte.  Analfabeto, apenas com vinte anos  chega a Florença, cidade do Renascimento e Humanismo.  Morreu em França em 1519 no dia 2 de Maio, rumores trouxeram até aos dias de hoje, que teria sucumbido nos braços do rei Francisco I. Nós, a biblioteca ambulante, as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, temos orgulho nesta data, pois há seis anos anos atrás, numa máquina, não daquelas que o relembrado Leonardo desenhou e experimentou, mas noutra com quatro rodas, voamos nas viagens e andanças pelas aldeias, assim como Leonardo arriscou voar, a levar e dar histórias,  provocando os resistentes ao alfabeto, estimulando a leitura, a conceder aprendizagem, conhecimento a todos aqueles distantes de onde tudo acontece. Leonardo foi um visionário, a biblioteca ambulante acredita que outros projectos são possíveis de realizar, menos difíceis até, há condições para tal, e no sexto ano a trilhar estradas e caminhos nas aldeias e lugares com algum sucesso, nada melhor que planear outras funcionalidades básicas. Para que o cidadão isolado além das histórias,  se possa servir daquilo que é do interesse de todos. Leonardo é perpetuado na história pela sua obra e contribuição no desenvolvimento de um mundo melhor, a biblioteca ambulante, noutra dimensão será eternizada, assim como outras o foram, pela divulgação da literatura, dos escritores, das ciências, das artes, em locais remotos, onde nem todos conhecem e não querem conhecer. As minhas contragulações a quem a frequenta, a observa e comenta, pela assíduidade de voltarem sempre, pela amizade. De uma maneira geral é uma conquista que estamos a realizar todos juntos pelo acesso e passagem da  informação nas vossas aldeias. A ti Leonardo não tenho palavras que cheguem pela tua genealidade numa época onde tudo ainda era quase princípio. Obrigado!

 

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