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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

As histórias vão ter que esperar

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Debaixo de um sol amedrontado, na sombra de uma tília,  a biblioteca ambulante recebeu as leitoras Paulina e Beatriz na aldeia das Bicas, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. O Nelson um dos mais novos do lugar, foi o primeiro leitor, não o via há meses, cresceu, o rosto invadido por borbulhas, indício de que as histórias vão ter que esperar que as emoções da adolescência acalmem, para voltarem a ter oportunidade de serem lidas. A tarde prossegue ainda nas Bicas, depois dos momentos agitados com as leitoras lentamente a escolher as histórias que as irão ocupar nos tempos desocupados, tudo regressou ao principio das viagens e andanças, após a chegada, o silêncio na ausência das pessoas, escutar a aragem penetrando no meio das folhas da tilia, os gritos dos pássaros, ver os carros transitando apressadamente na única rua da aldeia. Em S. Miguel do Rio Torto, alguns aldeões aguardam em pé, protegidos sob as árvores, pela última viagem de um amigo, talvez conhecido. Nas aldeias as pessoas gastam-se devagar, incógnitas, insubstituíveis, mais tarde chegam todos ao largo a caminharem e de automóvel, os estacionamentos deixaram de estar vagos, os cafés sem espaço no interior para tanta gente, ocupam as esplanadas, despediram-se do amigo, o trajecto desde o cemitério até ao centro da aldeia é longo, matam a sede. A tristeza de uns dá proveito a outros.

Ambicionam viajar nas próprias aldeias

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Dia cinzento, quase a chover e  colorido nas capas que protegem as histórias no interior da biblioteca ambulante, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, presentes nas aldeias da Barrada e São Facundo. No largo do café Areias não acontece nada, só as nuvens se dissiparam trazendo mais brilho á tarde. As portas do café abertas, assim como as da biblioteca ambulante, mas clientes e leitores nem vê-los, alguns automóveis circulam, transportando gente de olhar ausente ao que as rodeia no largo. O ar refresca-me fazendo com que saia da inactividade que a pouco e pouco me conquistava. A música na rádio não para, um pintassilgo de penugem alegre observa-me empoleirado num pequeno galho de uma planta silvestre. As viagens e andanças têm estas circunstâncias, há sempre algo que torna os itinerários diferentes mesmo que os caminhos e lugares sejam sempre os mesmos. Sou um nómada,  não viajo sózinho, tenho as histórias como companheiras e confidentes recorro a elas quando tenho necessidade de distração, de aprender, de continuar a viajar ainda mais. Os atlas, os caminhos traçados nos mapas, continentes, países, cidades, florestas, desertos, rios e oceanos que outros exploraram Marco Pólo, Paul Theroux,  exemplos do passado e actualidade.  Sendo a biblioteca ambulante um planisfério, todos as rotas traçadas estão disponíveis aos sedentários que ambicionam viajar nas proprias aldeias.

Futuros ledores

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Dia de interrupção da biblioteca ambulante nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, renovação de fundos bibliográficos,  novas sugestões para acrescentar ás histórias que não  fatigaram os incansáveis leitores. Ausente dos itinerários, a lembrar-se dos que estão remotos, e sempre na expectativa de vir a cruzar-se com futuros ledores das aldeias a norte a roçar o rio Zêzere e noutras além do rio Tejo.

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