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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Sem contemplações

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Escassas nuvens, idênticas a enormes Dirigíveis, sobrevoam o lugar da Lampreia, topónimo que tem a sua origem na fauna fluvial, sem certezas que a escolha seja relativa à actual ribeira que por aqui corre com o mesmo nome. Doação do Crato à Ordem do Hospital no ano de 1232, o crescimento do local pouco desenvolvimento terá tido até aos dias actuais, a população aumentou, mas curta na área do território das viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Ainda assim os leitores procuram a biblioteca ambulante, exploram histórias escritas, histórias visualisadas que os divertem nos resistentes dias de verão. Na aldeia da Casa Branca é impossível desfrutar da esplanada do café Chez Cláudia, os raios solares atingem o espaço violentamente, no interior a clientela, a mesma que se espreguiça diante do edíficio, refresca-se bebendo minis sem interrupção. O viajante das viagens e andanças, as histórias, resistem imperturbáveis aos 42º, conseguindo que os leitores se acerquem da biblioteca ambulante sem contemplações, arrojam, arrebatam, muitas ficam esquecidas, desarrumadas, a curiosidade puxa a exaltação pela quantidade e variedade. 

Ocorrências nas aldeias onde permanecem

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Finalmente chegou o verão no final do verão, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, a progressão nas distâncias continua, as histórias não se amedrontam com acontecimentos naturais, elas são ocorrências nas aldeias onde permanecem. Na aldeia de Martichel, são alvo dos olhares de quem atravessa a aldeia, de automóvel, a caminhar, abrandam, alguns com modo estupefacto. Interrogam-se, haverá quem leia na aldeia, não terão ofícios por realizar, as hortas para regar, refrescarem-se nas águas do rio Zêzere (Barragem do Castelo do Bode), logo ali atrás, tanto por terminar, têm tempo para leituras?  Mas têm, estes e os outros das outras aldeias, não são muitos, são bastantes que gostam de histórias. Não perdem a estadia da biblioteca ambulante, Procuram-na demasiadas vezes, não se cansam, abusam das histórias, querem sempre mais e melhores. O bafo do vento é quente e seco, a sua força varre as folhas secas no chão do largo, manchas negras na floresta distorcem a paisagem, interrompem a continuidade do bem estar do ambiente. No seguimento da viagem para a aldeia do Carvalhal, com a biblioteca ambulante a soltar os seus cavalos, à beira do asfalto, cachos de uvas sendo arrancados com auxílio de tesouras, surpreenderam o viajante das viagens e andanças. Não é uma vindima precoce, é sim despachar a colheita, antes que o excessivo calor nesta altura, deteriore os frutos da vinha. A Sulamita foi a primeira leitora, ainda os cavalos estavam quentes, quando despontou  junto da biblioteca ambulante.

Muitas vezes são os leitores

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A pacatez do largo Motta Ferraz nas primeiras horas da manhã, os lugares onde param veículos desocupados, a fachada norte da igreja da Misericórdia realçando o portal com o rasgo em arco de volta perfeita cercado por pilastras onde assenta o entabelamento com motivos decorativos, encimado por pináculos, com um medalhão onde está representada a Nossa Senhora da Misericórdia, mostra que estamos perante um edifício com história. Os poucos abrantinos que se expõem, arrumam novidades enquanto aguardam pela abertura dos serviços públicos, a esta hora a frescura dá dinâmica, os detalhes saltam inesperadamente á vista, nalguns a surpresa é grande, após anos a fio a caminhar pelos mesmos sítios. A biblioteca ambulante é aprumada com histórias acabadas de catalogar por mãos experientes que as acarinham, pela primeira vez as folhas são desembaraçadas do forte aperto da prensa. Por olhos que as lêem diagonalmente, que lhes atribuem um tópico, são inscritas no catálogo comum (Zhara) da biblioteca (António Botto), finalmente são instaladas nas prateleiras, todas preferem as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, querem conhecer os povoados as aldeias, permanecer no campo, junto dos que estão remotos. A rotatividade comporta que todas elas experimentem as viagens e andanças, muitas vezes são os leitores a propor a prensença de histórias, por quererem conhecer, ter ouvido rumores, voltar a lê-las novamente.

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