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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Numa livraria perto de ti

Wook.pt - Endireita-te

Sinopse

Adjoa, endireita-te! Em Djougou, para que uma menina cresça, põem-lhe coisas na cabeça: café, feijão, bananas, sonhos, jerricãs e até segredos difíceis de guardar.

E é de dentes cerrados e cabeça erguida, como lhe ensinaram, que Adjoa nos diz como foi pesando cada objecto, cada gesto e sentimento, desde pequenina a crescida.

Uma história contada em jeito poético e inusitado, que nos mostra como se podem transformar objectos de dor em actos de amor.

 Orfeu Negro, Janeiro de 2020

Numa livraria perto de ti

Wook.pt - A Noite Abre Meus Olhos

Sinopse

«A Noite Abre meus Olhos» reúne toda a poesia publicada por José Tolentino Mendonça incluindo já, nesta nova edição, os livros «Estação Central» e «A Papoila e o Monge».

Sobre a poesia de José Tolentino Mendonça reflecte Jerónimo Pizarro, no posfácio que preparou para esta edição, dizendo-nos ser «[¿] bem mais nocturna do que muita da poesia portuguesa. É a noite, e não o dia, que "abre seus olhos", e os fulgores dessa noite - iluminada pelas recordações - são os que, de forma fragmentária, o poeta procura captar […]. Resgatando o que o tempo apaga, exercendo um determinado tipo de resistência vital, partilhando um olhar diferente sobre o mundo, hospedando o Leitor no poema […].»

Assírio & Alvim, Dezembro de 2014

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Wook.pt - Se o Disseres na Montanha

Sinopse

Se o Disseres na Montanha, publicado em 1953, é o romance que revelou ao mundo o génio de James Baldwin. Romance inaugural da sua obra de ficção, constituiu-se desde logo como marco para muitos outros escritores, ao mesmo tempo que foi conquistando o lugar de clássico da literatura americana.

Neste seu primeiro romance, Baldwin dá voz a John Grimes, um rapaz de catorze anos posto perante um dilema num sábado de Março de 1935, no Harlem nova-iorquino. Prestes a fazer catorze anos, na véspera de um sermão na montanha, John está numa encruzilhada que tanto pode ser uma crise como uma epifania. John quer para si um destino diferente daquele que a família e a comunidade lhe reservaram: o de seguir os passos do padrasto, ministro da Igreja Pentecostal. Mas, numa comunidade discriminada, a liberdade de escolher pode não estar nas suas mãos. Ou pode condená-lo a uma segregação ainda mais profunda, dentro de si e entre os seus semelhantes.

Com uma precisão lírica e um poderoso simbolismo, com fúria e compaixão, Baldwin espelha em John a luta que ele próprio travou pela autodeterminação — emocional, moral e sexual —, transformando a sua história individual na odisseia colectivade um povo marcado pela segregação. Ao escrever Se o disseres na montanha, James Baldwin não só criou novas possibilidades para a literatura americana como permitiu aos americanos despertar para uma nova forma de se verem a si mesmos.

Alfaguara Portugal, Novembro de 2019

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Wook.pt - O Gesto que Fazemos para Proteger a Cabeça

Sinopse

Dois homens caminham. Um chega à terra para matar saudades do mar; outro supera um carreiro íngreme com uma carga de azeitonas. O primeiro vem vergado ao peso da vingança. O segundo ao da sobrevivência. Cruzam-se numa estrada, perdida, no Alentejo, junto à fronteira.

De Espanha chegam os ecos dos fuzilamentos e os foragidos da Guerra Civil. Transaccionam-se mercadorias, homens, mulheres e até bebés. No espaço de um dia, que medeia dois entardeceres, muitas mulheres de cabelos ensarilhados pelo vento hão-de conspirar num velho depósito de água rachado; duas amigas separam-se e unem-se por causa de um homem que se dissolve na lama. Um rapaz alentejano voltado para as coisas da existência é por todos traído, mas não tem vocação para desforras, e perde o falcão, a sua máquina alada de matar…

Duas comunidades antagónicas, que se hostilizam, guerreiam e dependem uma da outra: uma à míngua, entre vendavais e pó; outra prospera, em traficâncias várias, cercada por pântanos, protegida por um tirano local e pela polícia política, abriga todos os rejeitados pela sociedade, malteses, republicanos espanhóis, fugitivos, cuspidores de fogo, ciganos, artistas de circo, evadidas de conventos, bêbados e arruaceiros. As velhas acusações transformam-se, a guerra tem renovados motivos, a raiva escolhe outros métodos. O grito do corpo continua o mesmo, tal como o gesto que fazemos para proteger a cabeça.

Relógio D'Água, Novembro de 2019

É nos momentos menos bons, que mais falta faz

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Continuo suspenso no interior da casa das histórias, a cidade está moribunda, só quem não tem eira nem beira se deixa ser visto. A situação dos leitores das bibliotecas perante o que está a acontecer não é fácil, quando se esgotarem as palavras que ainda restam das histórias concedidas pelas bibliotecas. Seria interessante que o dever social das bibliotecas fosse  mais activo para além de estarem com as portas encerradas nesta altura custosa. Assim como os profissionais de saúde, bombeiros e todos os outros que contribuem para que todos nós possamos usufruir ainda de uma normalidade no meio de tanta anormalidade, porque não continuarmos a ceder as histórias. Temos  processos que permitem aceder aos nossos catálogos, a maioria dos leitores também os possuem, com vontade, todos nós, os que trabalhamos técnicamente na organização e administração das bibliotecas, poderíamos continuar a proporcionar a biblioterapia aos leitores. As histórias curam tristezas, dão esperança, enquanto as lemos estamos ausentes, uma distribuição, locais de recepção, ou mesmo nas bibliotecas com presenças restritas, como se procede no comércio alimentar. A literatura é importante e é nos momentos menos bons que mais falta faz.

Numa livraria perto de si

Wook.pt - Os Anos

Sinopse

Estendendo-se por um período que vai de 1941 a 2006, em Os Anos conta-se uma história que é simultaneamente coletiva e pessoal, transversal e intimista, de sessenta anos da vida de um país e da vida de uma mulher. Através de pequenos fragmentos narrativos, por meio da relação entre fotografias, canções, filmes, objetos ou eventos da história recente, mais do que uma desconcertante autobiografia, Annie Ernaux constrói uma recordação de um «nós», num relato sobre o que fica quando o tempo passa: «Tudo se apagará num segundo [...] Nem eu nem mim. A língua continuará a pôr o mundo em palavras. Nas conversas à volta de uma mesa em dia de festa seremos apenas um nome, cada vez mais sem rosto, até desaparecermos na multidão anónima de uma geração distante.» Galardoado com diversas distinções, entre as quais o Prémio Marguerite Duras 2008, em França, o Prémio Strega 2016, em Itália, e a seleção para o Prémio Man Booker Internacional de 2019, este livro confirmou Annie Ernaux como uma das mais importantes vozes da literatura francesa deste século.

Livros do Brasil, Fevereiro de 2020

Oportunidade única para redefinir

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O dia começou cedo com uma caminhada, o vento forte não foi impedimento de realizar o que faço logo pela manhã. O sol assemelhava-se a uma grande bola no horizonte cheia de brilho, o trânsito rodoviário não tem comparação com as manhãs das semanas anteriores. Continuando a locomover-me, observo os cavalos que todas manhãs levantam as cabeças parando de comer a erva, para me olharem quando executo um som familiar. De repente tomo consciência, globalmente estamos a desacelarar, mas os animais que referi atrás continuam calmamente na pastagem, os sons das manhãs continuam melodiosos com o chilrear, os melros voam de galho em galho, os galos cantam, as ovelhas balem, até as flores libertam odores que embevecem este passeante matinal. Nas hortas as alfaces desenvolvem-se, as nabiças cobrem a totalidade dos canteiros, os gatos ocultados no meio das ervas, aguardam pacientemente que algum rato mais distraído possa vir a ser a primeira refeição do dia. Os rebentos folhosos das árvores despontam vertiginosamente, no rio os patos Mandarins progridem nas suas águas grasnando ao verem a minha aproximação. Os ecossistenas continuam a realizar o seu progresso, consoante as épocas, o planeta está a descomprimir. A humanidade está bloqueada, oportunidade única para redefinir politicamente, ecologicamente, economicamente, militarmente, socialmente e modificar atitudes comportamentais.

Desafio dos pássaros #2.7 - Oh não, um vírus (2ª ed. motivada por lapso num delete)

Oh não, um vírus outra vez! Um vírus plantado pelos serviços secretos de um qualquer país, como forma de inverter a economia emergente da China. Um vírus posto pelas organizações ambientalistas, para parar o aumento da poluição provocado pela indústria chinesa. Um vírus exposto nas bancas de um mercado, numa cidade com uma densidade populacional muito elevada. Outros fizeram sucesso no passado, o vírus da Gripe Pneumónica em 1918, o vírus da Gripe Asiática em 1957, o vírus da Gripe de Hong Kong em 1968, o vírus da Gripe A em 2009. Todos eles armas letais e silenciosas ao serviço das potências dominadoras do planeta. Usados nas 1ª e 2ª Guerras Mundiais, na Guerra Fria e nas Guerras da atualidade como formas de persuasão entre estados. Um vírus terrorista que não escolhe vítimas, crianças, adultos e idosos, são alvos e armas ao mesmo tempo em movimento, implacáveis no método de agirem, desorganizando a sociedade. Um vírus sem antídoto, por desconhecimento, por ser vantajoso, não sabemos? Um vírus que não seleciona, é democrático, ricos, pobres, pecadores, santos, corruptos, honestos, todos estão em risco perante este monstro sombrio. Um vírus que já contagiou as redações e edições noticiosas das televisões e imprensa escrita, visível no histerismo com que abordam a abertura dos telejornais. Um vírus que desfalca os armazéns das grandes superfícies comerciais. Um vírus que não permite veleidades que certamente não irão mudar mentalidades e atitudes, estas duas continuarão nas mentes de alguns quer estejam sadios ou doentes. A sede de poder nunca acaba, foi sempre assim, desde o início dos tempos, a história sempre nos disse isso, olhem para traz e observem as guerras praticadas pelo homem, as pestes e outras pragas que dizimaram a europa. O homem sempre reagiu através de várias disposições, motivado pela continuidade do seu poder. Quando for conveniente, o Covid-19 será extirpado, até lá ainda muitos irão sucumbir perante o seu avanço. Depois será a vez das economias se reabilitarem, como sempre, os mesmos, ficarão melhor preparados que os outros que só sabem ser subservientes. As pessoas vão esquecer os momentos trágicos e quando todos andarem distraídos, oh não, um vírus outra vez!

Praticam biblioterapia

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Outro dia, como diz a frase publicitária, «vamos para fora cá dentro», comprometido com a casa das histórias. Não paro de conferir na janela o céu da minha cidade, no jardim as crianças brincam no parque infantil, os velhos apanham o sol, aquecem os ossos mirrados de anos a fio a suportarem andamentos, movimentos e pesos de uma existência de miséria ou de abundância. As mães conversam umas com as outras, não deixando uma vez por outra de olhar para o lugar onde as crianças dão gargalhadas, correndo atrás umas das outras. Também os há sentados e deitados ocupando exageradamente os bancos compridos que praticam biblioterapia, lêm ausentes e despreocupados ao que os rodeia. Só as anti-aéreas apontadas ao mesmo céu que eu não me canso de olhar, protegidas por um descomunal conjunto de sacas de areia a encurralar os militares que as manuseam, colocadas em locais estratégicos estão a mais, as entradas dos edifícios públicos estão protegidas por sacas de areia até à altura de um homem, militares armados verificam quem entra e sai. Aqui as salas estão cheias de leitores, uns entram e saiem defraudados por não poderem levar a história cujo título «A segunda guerra mundial: uma história essencial». A narrativa analisa o choque que a guerra teve na vida quotidiana das populações. «The Battle of Britain: The Greatest Air Battle of World War II, Richard Hough, W. W. Norton, 2005» também é um dos títulos solicitados, tudo isto para se ajustarem ao novo modo de viver com o que nos está a acontecer actualmente nos nossos dias, a Grã-Bretanha é um bom exemplo para podermos continuar imperturbados, assim dizem os políticos. Um som familiar chega-me aos ouvidos, levanto-me novamente, da janela perscruto a sobrevoar lá bem cima uns pontos minúsculos, nos ouvidos o soar aparenta ser de mosquitos a ziguezaguear de um lado para o outro, mas não passa de uma esquadrilha de aviões de combate a patrulhar, não vá algum bombardeiro inimigo surgir de surpresa. Quando assim é tocam as sirenes e os sinos das torres das igrejas da cidade, aí vamos todos para os abrigos, não há necessidade de ficarmos aprisionados em casa a ver e ouvir as notícias do momento.

Numa livraria perto de si

Wook.pt - A Melhor Máquina VivaSinopse

Anders Kopf é um jovem aspirante a escritor que decide mergulhar na pobreza por um ano e afastar-se de um passado doloroso. É um exercício temporário cujo objectivo é melhorar a literatura. Com os seus novos companheiros faz um batismo de pobreza, pratica roubos colectivos em matadouros, partilha refeições suspeitas e sofre injustiças pedagógicas. Durante todo esse tempo, reescreve a sua própria história de orfandade e de crime.
Eeva Wiseman é uma bela capitalista que herdou do pai um antigo matadouro, relíquia macabra do século XX. Administra com agilidade maternal o seu império de negócios, na sombra voraz da globalização, ao mesmo tempo que ressuscita da ressaca de um grande acidente e de um desaparecimento absoluto.
O que têm Kopf e Eeva a oferecer um ao outro? Entre o amor e a amizade, qual a melhor máquina? A liberdade e o sexo; a pobreza e a abundância; o triângulo homem, mulher, animal, são estas as várias máquinas modernas que alimentam a literatura.

Companhia das Letras, Fevereiro de 2020