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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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O acanhamento da manhã não impediu a biblioteca ambulante de rumar às aldeias da Foz, Água Travessa e Chaminé. Debaixo de nuvens ameaçadoras, atravessando campos cultivados, nos quais pequenas plantas ganham altura motivadas pela água que cai. Peregrinos puxados pela fé  caminham para Fátima na berma na estrada. Foi num abrir e fechar de olhos que o viajante das viagens e andanças, concluiu o trajecto. Emoção, espanto, foi o sentimento de quem chegou e de quem estava, após longos meses de ausência, não demorou muito para que as histórias voltassem a andar numa roda viva. Umas retidas pelo afastamento nos lares adoptivos, regressaram à biblioteca ambulante, as outras, prisioneiras no tempo passado, ganharam novamente liberdade. 

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Outro dia se reforça, no que irão ser as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. As águas do rio no qual muitas das histórias ganham acontecimentos, ainda dormem. O vento adultera o sentido da água, dando origem a pequenas ondulações, que se modificam em representações espontâneas. O rio aos olhos do viajante das viagens e andanças é uma tela, sombras, reflexos, cores, tudo misturado naturalmente. Sem premeditação acontecem histórias, das pessoas, das aldeias, das diferentes maneiras de viver na minha terra. 

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A tarde na aldeia das Fontes é uma desordem, diversas melodias ao mesmo tempo, desorientam o viajante das viagens e andanças. Quais, quem, são as aves que  disputam o festival. Não se vê vivalma, o calor fechou as pessoas nas suas casas. O café vazio, no passado a biblioteca ambulante permanecia num horário vespertino mais adiantado. Nas árvores poucas são as folhas que se deixam sacudir pela árvores. A ausência de ruído embala-me a recordar outras tardes, quando os homens se juntavam a beber minis frescas após terminarem os seus ofícios. As conversas fluíam no que restava da tarde, enquanto os mais novos conheciam histórias novas. 

 

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Atalaia, o sol aponta ao trono, a biblioteca ambulante gera curiosidade a quem passa perto. No Mini-mercado da Ilda duas clientes solicitam quem está no pequeno balcão. A carrinha do padeiro buzina primeiro, estaciona no largo. Subitamente, padeiro e viatura são rodeados por mulheres segurando sacos. Na aldeia a vida acontece, aqui o passado continua no presente renovado. Fico tranquilo, os costumes prosseguem, as pessoas existem. A manhã termina da melhor maneira possível, uma história fica na aldeia. 

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O abraço do sol é caloroso neste retorno às viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Encontros ocasionais proporcionam futuros leitores, reencontros causam sorrisos, as máscaras estão lá, os olhares dizem tudo. Eles aprendem, eu aprendo a colocar-me neste tempo novo. A aproximação não é expontânea, é avaliada no primeiro momento, daqui para a frente comunica-se, agenda-se. Na próxima visita serão as histórias as protagonistas, é por elas, por eles, as pessoas, que a biblioteca ambulante regressou. 

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O novo tempo não tem tempo. Chegou o instante, e a biblioteca ambulante está de novo na estrada, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. O refazer invade o viajante das viagens e andanças. A emoção, voltar à estrada, às pessoas, mas também readaptar o passado ao presente modificado. Ao serviço de todas as pessoas. 

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