Não quebram a vontade de voltar ...
A tarde quente afasta as pessoas do largo e os leitores da biblioteca ambulante, mesmo a internet não está pelos ajustes com o viajante das viagens e andanças. O trabalho espontâneo está ameaçado ou melhor, estragado, recorrerei à esferográfica BIC, um objecto a democratizar a escrita desde 1950. Nem as sombras a conquistarem espaço ao largo atraem as pessoas, somente os pássaros a voarem em liberdade e a cantarem a independência absoluta se deixam observar e ouvir. Mais adiante na estrada nacional, os motoristas e os veículos fazem gazeta às horas abrasadoras, ninguém quer estar debaixo de um sol vibrante de alegria. A planície que acompanha a estrada está órfã dos animais que a usam para se alimentarem das ervas, encurralados à sombra, esperam pelas últimas horas da tarde, para se aventurarem no terreno plano a ruminarem. As histórias persistem sem leitores, não me lembro do último dia acontecendo o mesmo, não estou habituado, mesmo os que não querem nada com as histórias não vêm para expressarem emoções aprisionadas. Estas ausências não quebram a vontade de voltar, de continuar amanhã, noutras aldeias e lugares, as bibliotecas ambulantes e as histórias continuarão a pluralizarem-se com leitores.