As histórias do momento são ...
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O dia rompeu com o sol de uma cor laranja forte, dando pistas nada favoráveis para as próximas horas. Aliás a temperatura quando a amanhã abria os olhos, estava aprazível, mais, do que as madrugadas anteriores. Nas aldeias onde a biblioteca ambulante assoma, as pessoas queixam-se da elevada inquietação do sol, da sua falta de discernimento por aqueles que o estimam. No inverno, quando está presente, libertando calor aos aldeões, nos dias em que a geada aprisiona tudo. Sentados no limiar da porta das suas casas, apanhando o brilho no rosto, aquecendo ao mesmo tempo o corpo minguado pela passagem dos anos. O que se desconfiava nos sinais da aurora, confirmou-se ao ao início da tarde, o calor excessivo não trás nada de bom, não há leitores, só os mais corajosos se deslocam a pé na rua. Os automóveis transitam com os vidros fechados, dando destaque ao ar artificial, a refrescar os ocupantes. Na biblioteca ambulante as portas abertas deixam entrar o pouco ar fresco que consegue atravessar o interior desta. As histórias tombadas umas sobre as outras, mostram o desânimo pela ausência de leitores. As praias, o mar e o rio, as piscinas, são neste momento os lugares mais apetecíveis para se estar, com livros, ou sem eles. Nas aldeias, os tanques, reservatórios de água para regar as hortas, são óptimas escolhas, para meter debaixo de água os corpos ressequidos, pelo calor, deprimidos pelo excesso de silêncio. A água fria, motiva, põe em funcionamento, outra vez os organismos humanos, cansados de demasiada resiliência. As histórias do momento são estas, debaixo do sol ardente, perscrutando o horizonte, esperançoso, no avistamento de um leitor, de um super-homem, de uma super-mulher. Surgidos de um qualquer lugar em direcção à biblioteca ambulante.














