Tempo para ter importância, ...
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O relógio da torre sineiro, na igreja da aldeia do Souto toca as onze horas, o sol está alto, há pessoas na rua. Amparados pelos muros, conversam umas com as outras, reunindo a vitamina D o mais tempo possível, para gerir a quantidade necessária, enquanto o sol dá a volta e se ausentar outra vez. A leitura é conduzida preventivamente, seguindo as palavras com velocidade reduzida, sem transpor as linhas, os sinais gráficos, nas aldeias da minha terra, é preciso ler com tempo, a tempo da próxima permanência da biblioteca ambulante na aldeia. O tempo nas aldeias, tem tempo para aspirar fortemente, seja o que for. Tempo para mais população, médicos, correios, menos silêncio, mais companhia.Tempo para ter importância, ou tempo para ser um lugar nenhum, com o passar do tempo a explicação possível é o tempo ter parado nas aldeias da minha terra. O sol precipita-se do alto do céu, com tempo para cair, e sumir no horizonte. Nas Fontes, outra aldeia incluída nas viagens e andanças, está revestida de uma camada de ouro. Lá em baixo o rio continua gordo, até a mulher na sua horta, situada na encosta, adianta o olhar para o rio. Admirada por este não ter reduzido o volume de água. Não se privou de encher o leito, ou não o deixam libertar o excesso de água. Um regime alimentar diferente, orientado, evitando o desperdício, pois a Terra continua a girar com futuro incerto. As viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, por hoje, estão a chegar ao fim. Tenho tempo para encontrar o destino, e estou sem tempo para outros leitores.










