As palavras caem ...
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O rádio emite música, o céu está maioritariamente azul, isto porque, no horizonte se avistam algumas nuvens aparentemente inocentes. Viajamos para o final do ano sem muitos leitores à vista. Só alguns, ocasionais, os que gostam de ler jornais, quanto mais não seja, lerem as palavras em destaque. Foi o que aconteceu hoje de manhã, onde os jornais que coloquei sobre a mesa da esplanada, no Mercadinho da Fonte, não conseguiram aquecer o lugar. Foram alvo da atenção geral, passaram por diversas mãos, são folheados de trás para a frente e vice-versa. Parecem o ramalhar nas árvores quando os ramos ficam estimulados pelo sopro do vento. A agitação é brusca consoante se discorda ou não com o que se lê. As palavras caem como frutos desprendendo-se dos ramos. A notícia, do conhecimento de todos, é exposta a todos os olhares, ao redor de quem prende com ambas as mãos o jornal. Cada um defende a sua opinião. Por entre os diversos artigos impressos nos diferentes jornais, a manhã passou. Sem se aperceberem do intrometimento da manhã, da luz brilhante do sol, devolveram os jornais. Estão saciados com o que ficaram a saber, têm assuntos para debaterem no resto do dia, em casa, ao almoço com a família, com amigos. Vão ser o centro das atenções, dos que não leram, dos que não lêem. Transposta a primeira parte do dia, a tarde não trouxe alterações assinaláveis, excepto a total ausência de leitores, os jornais instalados no escaparate, não são apetecíveis aos olhares dos transeuntes. As histórias não puxam os leitores, os curiosos a explorarem os caminhos, onde as palavras os possam levar. A perceber que a falta de leitura no quotidiano é prejudicial à saúde mental. É nocivo à definição do pensamento da humanidade.




