As pessoas não se entregaram de novo ...
historiasabeirario


O vento forte e prolongado que assomou na madrugada de hoje nas aldeias da minha terra, não foi clemente para algumas árvores. Abatidas pela força do vento, não morreram de pé, com dignidade como acontece com muitas árvores. Nas aldeias o gigante, igual ao que apareceu no Cabo das Tormentas, e afundou naus, revoltou-se sob a forma de uma tempestade, muita chuva e trovejando. Assustando as gentes das aldeias, com o seu bramido de cólera. Houve quem acordasse, no meio da escuridão tentado encontrar a pequena lanterna portátil, a vela, para averiguar possíveis estragos na habitação, nos espaços adjacentes à mesma. Paredes erguidas por pedras e areia, também não resistiram à fúria do gigante. As pessoas não se entregaram de novo ao sono, a água da chuva, infiltrava-se, ultrapassado barreiras, surgindo de pontos indeterminados. A luz nalgumas aldeias ainda não deu sinal, as ribeiras não conseguem suster mais água. Há estradas a ficarem intransitáveis, dão lugar a rios improváveis, nascendo no limite da capacidade do leito das ribeiras, de ampararem as águas revoltas. A biblioteca ambulante, adaptada a deslocar-se tanto na terra como na água, não deixa os leitores sem leituras. As viagens e andanças continuam, superando atalhos e passagens, entrelinhando os espaços submersos, indo ao encontro dos leitores, das pessoas nas aldeias, árvores que merecem morrer de pé.







