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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

07 Mai, 2018

Casa amarela

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Subindo a rua , lá estás tu, acolhida na monumentalidade da grande casa amarela, protegida pelas velhas pimenteiras, altivas para a antiga Praça do Rossio.

Continuas a informar quem te frequenta;

Continuas a divulgar as letras dos velhos e novos que as escrevem.

Quem frequentou a outra, antes de ti, a tua mãe! Tu ainda não passavas de um projecto no papel, não têm dado o valor merecido.

Sim, ainda sou do tempo da tua mãe, vi-te crescer, vi-te nua.

Também te vesti, de livros altos, baixos;

livros largos, estreitos, de muitas cores. Tornas-te adulta, estás madura, dos teus alicerces germinam criações, nas quais participei e assisti.

Concordem ou discordem, foste e serás sempre a única embaixadora cultural do território que alcanças.

Quando ria, todos riam também, quando chorei, chorei sózinho.

Afastei-me de ti, envolvi-me num projecto parido por ti, as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Levam-me para outros lugares.

Mas continuo a precisar de ti. A vontade de voltar não é a mesma de outrora, tenho que continuar a voltar, nem que seja com a memória.

Continua assim, guardando, informando, divulgando, as letras de todos para todos!