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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

30.Out.18

Viagem a pé pela Travessa dos Besteiros

 

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Todos os dias passamos no automóvel ou a caminhar por ela, desantentos, apressados, nos pensamentos, nos afazeres, não temos tempo de encontrar a Travessa, actualmento Beco, com o topónimo de Besteiros. Fica defronte do antigo Posto da PSP, numa manhã das mais frias deste outono, emprendi a caminhada até ao que ainda resta da antiga rua. Não dei mais que dez passos, para lá, para cá, girar à direita, girar à esquerda, está visto. Demorei-me a olhar a janela do quintal, pouco depois as portadas de madeira abriram-se, recuei alguns séculos. A antiga rua na sua época de fulgor, lá vinham as freiras, dali, só podia ser do Mosteiro Velho. Os soldados armados das suas bestas, marchavam vindos da fortaleza, patrulham as ruas da vila, o fidalgo vem a pé puxando a sua montada, a pouca largura da rua assim o obriga, para segurança de quem anda a pé. Olhem, dois mareantes aproximam-se, vêm da direcção do rio, pela cor dos rostos, andaram vários meses no mar, talvez anos na descoberta de novas terras, capitaneados por grandes navegadores, nas costas carregam grandes sacos. Ali vai o almocreve com todo o cuidado, orientando o burro atrelando uma pequena carroça, o vento alterou-se, as portadas da janela fecharam-se com estrondo. Voltei ao presente, a viagem no tempo foi curta, tal como a rua foi. Foi tapada pelo lado da Rua Nova em 7 de Agosto de 1733... que ela Catarina do Avelar Cabreira, tinha tomado de aforamento infatoizim pera sempre ao senado da Camera desta ditta villa huma travessa chamada dos besteiros que corria da Rua Grande por entre os quintais das casas sobre dittas pera a parte da Rua Nova... ( Toponímia abrantina, Eduardo Campos; 2ª edição revista e aumentada,1989 ). Assim está há duzentos e oitenta e cinco anos, ao voltarem a transitar na Rua de Santos e Silva ( antiga Rua Grande ), abrandem um pouco, olhem para o que resta duma rua com história, onde os abrantinos do passado não deram dez passos mas milhares por esta rua.