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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

20.11.25

O sol solta-se da névoa rasteira ...


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Na estrada em direcção à aldeia do Vale das Mós o nevoeiro denso tomou conta das viagens e andanças. Não fossem os faróis dos automóveis transitando no sentido contrário, o viajante das viagens  e andanças achava que seguia o rasto das guias brancas isolado, a conduzir a biblioteca ambulante. Mais adiante na planície os primeiros raios de sol despontam, formando pequenas clareiras brilhantes quando tocam no orvalho da manhã. O tractor com as suas garras desperta a terra (...)
19.11.25

O livro é uma espada tocando-lhes ...


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Foi muito longo o tempo que o sol demorou a sair da incerteza em que estava mergulhado. As aldeias da minha terra, encantadas, misteriosas, quando as brumas assentam no território onde a biblioteca ambulante é rainha. Uma lutadora incansável, a combater a iliteracia, a solidão, são várias as lutas diárias, onde se ganha e perde. Conquistou leitores, sem desistir, continua, adaptando as histórias ao quotidiano das pessoas das aldeias. Na sua corte todos são bem vindos, ouvir os (...)
18.11.25

A refeição preparada para o ...


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A charneca está brilhante, as gotículas de água estão em todo o lado, beneficiando o viajante das viagens e andanças. Não é o país das maravilhas, mas podia ser, cintilante, com histórias para todos na biblioteca ambulante. As pessoas nas aldeias da minha terra não desistem de colher a azeitona, após a paragem forçada, provocada pela visita da Cláudia, os panos verdes voltaram a rodear as oliveiras. Os homens e as mulheres chicoteando com as varas os ramos, agora, com a (...)
16.11.25

Não derrubem bibliotecas ...


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A Cláudia foi uma leitora que entrou repentinamente na biblioteca ambulante, agitando as folhas das histórias sempre que pousava os olhos nas sinopses, no nome destas. Foi mais, trouxe histórias que os leitores das aldeias da minha terra recordarão para sempre. Os que vierem depois deles relembrarão os próximos a vir, e assim sucessivamente. Como tem acontecido com os nossos antepassados até ao presente. A oralidade, foi o primeiro caminho, quando as palavras se conseguiram (...)
14.11.25

O rasto das memórias, ...


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A cor branca das casas sobressai na tarde cinzenta na aldeia de Rio de Moinhos, das nuvens a água desaba sem piedade sobre a biblioteca ambulante. O largo está transformado num  lençol de água retratando os leitores ausentes, o outono desapaixonado. O rasto das memórias, nas ruas da aldeia, afluem na direcção da biblioteca ambulante, atravessam o largo na corrente rápida e estreita, afogando-se mais à frente no rio. Umas perdem-se para sempre por entre os calhaus e areias no (...)
12.11.25

Na obscuridade do interior, ...


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A chuva estabeleceu-se de forma duradoura nas aldeias da minha terra, há pedaços de tempo onde cai sem piedade, noutros tomba delicadamente sobre o largo, deserto. O céu cinzento parece abater-se sobre a biblioteca ambulante, não é a noite a cair, ainda é cedo para tal acontecer. É a antevisão de uma tarde sem leitores, não fosse a erva vivaz escapando-se por entre as pedras do largo,  sobressaindo a cor verde, a tarde estaria a meia-luz. Não há vento, os majestosos plátanos (...)
10.11.25

A Maria Castanha sacode ...


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A tarde abriu as páginas, deixando para trás o rosto cinzento da manhã, o princípio desta, as horas e minutos do tempo do período matinal, mostra agora palavras talentosas. Atingem os leitores, alertando-os da presença do sol na vila. Instiga-os a dirigirem-se à biblioteca ambulante, ao assador de castanhas, libertando fumo. O odor das castanhas assadas impregna o ar, entrando sorrateiro no espaço das histórias. À espreita, fazendo esforços para fugir da história, a Maria (...)
07.11.25

São livros por abrir ...


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O céu mostra ares de ter força para mudar o rumo da tarde nas viagens e andanças, com a claridade a dar um ar da sua graça. Parou de chover, embora as nuvens continuem por cima da aldeia, mas a luz que promove a tranquilidade dá possibilidade há especulação. O tempo vai melhorar de certeza, pelo menos nas próximas horas, virão leitores à biblioteca ambulante. Um rasgo azul abriu-se agora, uma porta para poderem sair de casa, até ao café, renovar as leituras, espreitar as (...)
06.11.25

As nuvens são viajantes sem tempo ...


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As nuvens são viajantes sem tempo, passam sobre a biblioteca ambulante aceleradas, sem rumo, navegam no céu das aldeias da minha terra. Ultrapassam os limites do território onde as aldeias e as suas gentes lêem histórias. Aceitam, habituaram-se a viver em comum com a biblioteca ambulante, alguns frequentam-na, são os leitores. Sempre que esta se demora na aldeia, gostam de compreender as palavras escritas nos livros. Na boleia destes objectos, percorrem o mundo inteiro, olhando (...)
05.11.25

Foi como abrir as páginas ...


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As aldeias da minha terra acordaram com o ribombar dos trovões, o vento uivando e o desabamento do céu inundando os caminhos nas aldeias. A terra transformada num prato ensopado pelo sentimento de alegria. A água trouxe tranquilidade aos campos, agitação nas ribeiras, e revolta nos lugares de escoamento, expelindo-a para fora do trajecto habitual. Sem leitores, a biblioteca ambulante no período da manhã foi observadora do caos nas estradas, e ruas. Algumas com água bastante para (...)