Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

25.Out.22

Palavras desprendidas ...

historiasabeirario
De regresso à estrada, nas viagens e andanças com letras, tirando vantagem da chuva que não cai. As histórias espreitam a estrada, iludidas pelos automóveis que transitam lhes dêem oportunidade de uma boleia. Na beira da estrada as páginas agitam-se fortemente, abanando nos dois sentidos, dando força à pouca intensidade da leitura. Mesmo assim nenhum abranda até parar, agigantam-se para que as vejam, sem sorte. Os ocupantes vão concentrados, não notam as palavras desprendidas (...)
19.Set.22

A água é vida...

historiasabeirario
O resguardo que a manhã trouxe com as nuvens favorece a temperatura delicada que se faz sentir. Assim estão os leitores na relação com a biblioteca ambulante, da presença destes à ausência, uma linha  frágil os separa das histórias. Os pingos da chuva mais grossos, asseguram a veracidade do que acabei de escrever, é complicado não ter leitores, as histórias ficam abandonadas. Não há agitação, diálogos, ficamos vazios, ignorantes no vínculo que construimos, com sede da (...)
31.Ago.22

Não é complicado...

historiasabeirario
A porta escancarada para o antigo acesso que levava água, memória de um passado muito distante, não significa que os desejos às acessibilidades sejam espontâneos.  Neste momento, há  passagens para quem queira desfrutar de outras águas que matam a sede de conhecimento. Difíceis de derrubar, as portas para alguns resistentes, continuam difíceis de concluírem a façanha de iniciarem o desafio na corrente das letras. Contornar os declives os meandros,  evitando areias no leito (...)
11.Ago.22

Uma provocação...

historiasabeirario
No regaço do bairro as histórias tentam abrigo nas fracções dos prédios que preenchem o que foi em tempos, hortas, olival e mais para trás o local onde existiu um convento. Saíram os monges, voltaram outros, famílias encaixadas umas nas outras que não dão importância às histórias que os informam da importância histórica do lugar. São poucos os que desafiam as palavras, entram no café, sentam-se na pequena esplanada defronte da biblioteca ambulante e não se passa nada. (...)
24.Mai.22

Um relacionamento para a vida...

historiasabeirario
Há momentos em que o vento dá guinadas, como se estivesse a ser conduzido por alguém desorientado na direcção que tomar. Não sei se fecho as portas, se mantenho só uma aberta, e destas a qual, a da retaguarda ou a lateral da biblioteca ambulante. Neste período são as folhas que voam, as revistas empurradas violentamente do escaparate, a ventania está insuportável. A imprevisibilidade da meteorologia do dia é semelhante à vinda até às histórias de leitores, até ao momento (...)
05.Mai.22

O tempo parece estar atrasado...

historiasabeirario
O sol não expressa compaixão pelos mortais esta tarde na aldeia da Casa Branca, no interior do café um grupo de aldeões, na sua maioria homens, aproveita para emborcar umas quantas minis frescas. Se pudesse também estaria com eles saciando a sede, conversando, tomando conhecimento do quotidiano da aldeia. Saber mais sobre a cultura hortícola, o que está germinando, os legumes que estão acabados e prontos para serem colhidos. Neste lugares afastados onde se pratica agricultura de (...)
28.Mar.22

Os leitores estão entrincheirados...

historiasabeirario
A tarde está embaciada, parece adoentada, que aflição será esta que assola as aldeias da minha terra? Os leitores estão entrincheirados nas suas casas, as pessoas não se deixam ver, na Lampreia só a natureza está activa, o seu timbre é magnífico, só mesmo as melodias  da orquestra silvestre me fazem estar atento. Já perto do destino final de outro dia de viagens e andanças com letras, noutra aldeia, a biblioteca ambulante e as histórias aguardam melhor sorte, ou seja (...)
01.Fev.22

Serão os sussurros...

historiasabeirario
As pálpebras pesam enquanto o texto avança devagar, há pouco larguei a história que me anda a ensinar sobre o passado. Não desisti de continuar a ler, simplesmente o entorpecimento é mais forte, optei por escrever. A tarde demasiado soalheira, estimula as pequenas aves que  aqui voam,  enganadas por um tempo que não é para tamanha algazarra ainda. Andam elas, andamos todos virados do avesso, falta saber se será sempre assim agora. As histórias estacionaram resvés ao (...)
03.Set.21

O tempo vai e vem, as estações vão e vêm

historiasabeirario
O canto das cigarras mais parece um aspersor de rega, os marmelos pendurados nas árvores pelos cordões que os alimentam estão mais amarelos, os figos da Índia maduram. O verão ainda anda por aí nas viagens e andanças. Não quero dizer com isto que o outono esteja longe, amanhece mais tarde, e escurece mais cedo, a transição é visível. A biblioteca ambulante continua a aceitar pessoas, leitores incansáveis, quem nunca leu, faladores e curiosos. O tempo vai e vem, são sempre (...)