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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

17.Mar.22

Palavras que gostaram de experimentar...

historiasabeirario
Sem contemplações o vento expulsou a poeira, a nitidez está a regressar à normalidade. Na planície a manada não demonstra interesse naquilo que a envolve, com o focinho  e o olhar pousado na erva, avançam pela terra plana como se fossem cortadores de relva. Irrompendo com intervalos de curta duração o sol esforça-se para abrir à força a cápsula que cobre a aldeia, mas não passa disso mesmo, a densidade da cobertura é resistente. A tarde progride vagarosamente, as (...)
28.Fev.22

Prego a fundo...

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Prego a fundo, foi assim que a biblioteca ambulante desta vez percorreu a distância de Abrantes a Monte Galego, um traço de auto-estrada impeliu um pouco mais as histórias a chegarem ao destino. A dúvida instalou-se na chegada à povoação, no local onde sempre se demora um pouco, a biblioteca ambulante, as histórias e o viajante das viagens e andanças, sondaram se o José teria estado a aguardar ou desanimado tenha saído inconsolável na direcção da sua casa sem as histórias. (...)
09.Fev.22

A leitura ficará para mais logo...

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Debaixo da sombra da laranjeira, debruçado, folheando o jornal, focado nas letras maiores. A leitura ficará para mais logo, quando houver mais vagar do que aquele que tem neste momento. Já ali estiveram as mulheres sentadas, foi mais cedo, aproveitaram o sol aguardando a carrinha do padeiro. Aviadas com os sacos cheios de pão foram dali para fora, as panelas e os fogões não podem esperar muito, os refogados são fáceis de estorricar e quando se encontram umas com as outras há (...)
18.Nov.21

É bom saber...

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As luzes reflectidas no rio iluminam outro dia de viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, algumas irão interromper a marcha da biblioteca ambulante. No interior da charneca, no carrossel da estrada, serpenteando planaltos e colinas, as aldeias surgem sob o olhar morno do sol. Os habitantes estancados em pé ou sentados, junto das suas casas, nos sítios marcados pela presença da biblioteca ambulante, da padeira, onde acontece tudo nas aldeias, aquecem os ossos (...)
27.Out.21

As palavras são...

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De volta à estrada, às aldeias da minha terra, longe da ribalta regresso às pessoas, à escrita onde as palavras se soltam mais facilmente. Na aldeia do Tubaral, no largo onde tudo acontece, enquanto a padeira não chega, os diálogos giram em torno da azeitona, alguma não está madura, está assim na charneca, está assado... A chuva anunciada para o final da semana, está a apoquentar quem ainda não iníciou a colheita e tinha planeado o período de descanso mais longo que aí (...)
15.Set.21

Permanecem connosco...

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A padeira que vende o pão, o viajante das viagens e andanças com letras que cede as histórias sem pedir nada em troca, estão sempre no limitado largo São João de Brito, na aldeia do Tubaral. Uma traz o papo-seco, a carcaça, a broa de milho, o pão alentejano, o pão de centeio, o pão de Deus, o caracol. Nem sempre os há, mas quando estão adicionados, os bolos, o rim, o palmier, o guardanapo, a bola de Berlim, o mil folhas e o pastel de nata, são cobiçados de um modo (...)
05.Ago.21

Histórias que não se esgotam...

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As pessoas na aldeia exibem um sorriso rasgado, não é caso para menos, a aldeia tem mais população. Os emigrantes regressaram, alguns há muito que estavam ausentes, a doença que alcançou o mundo não lhes deu possibilidade de desfrutarem o merecido repouso junto dos seus. A biblioteca ambulante é testemunha, o movimento rodoviário é superior, automóveis de custo acima da média, transitam vagarosamente pela rua da aldeia, para que os observem. Geralmente a surpresa é daqueles (...)
31.Mai.21

Tem que comer o pão...

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O dia chegou cerrado nas primeiras horas, na aldeia do Tubaral o céu azul poderá trazer leitores à biblioteca ambulante, as mesmas mulheres, sentadas, vigiam a vinda da padeira. No lado oposto estão as histórias, cuidam de maneira atenciosa quem as levar, a padeira aproxima-se a buzinar, causando um som penetrante, a canzoada agita-se, não param de ladrar, os diálogos ficam imperceptíveis. As mulheres levantam-se, vão na direcção da carrinha que traz o alimento. A biblioteca (...)
11.Mai.21

As de antigamente eram boas...

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A carrinha da padeira prestava os últimos serviços quando a biblioteca ambulante estacionava na aldeia do Tubaral. As mesmas mulheres, as do outro tempo, continuam sentadas segurando os sacos com o pão fresco. De um lado para o outro, um rafeiro farejava, um pouco de pão convinha, mas não para os dentes do cão. A padeira seguiu outro destino, ficaram as mulheres, pouco depois desamarraram os mexericos,  uma a uma foram aos seus desígnios. Foi com surpresa que o viajante das (...)
01.Set.20

Histórias narradas noutro tempo (revistas e corrigidas)

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  O Largo de São João de Brito, local de transmissão oral dos aldeões, ao mesmo tempo espaço de trocas e negócios. A padeira, o peixeiro, as roupas, frutas e hortaliças, ofícios sem locais determinados, também é o espaço onde as  histórias e a biblioteca ambulante têm a sua acomodação durante as manhãs marcadas, nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, para quem quer saber e conhecer ainda mais. Da aldeia do Tubaral olhando para o horizonte, este (...)