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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

18.Ago.22

As histórias voltarão...

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Há festa na aldeia, no Souto os preparativos avançam na montagem do palco que irá receber os artistas. Entre diálogos animados, gargalhadas à mistura, idas ao bar da associação para matarem a sede, debaixo do sol  que já expressa tirania, andam voluntários, quem pertence à comissão organizadora da romaria, de tronco descoberto, transportando aos ombros compridos tubos. As alvenarias que cercam as casas à beira da rua que leva as pessoas à festa, caiadas de um branco (...)
16.Ago.22

Viagens longas ou curtas nas ondulações das páginas...

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"Estou aqui" é o que está escrito no objecto do canto superior direito da página de rosto do livro, insignificante para muitos, desnecessário para outros, de grande importância para quem gosta de ler. Um farol num mar de letras que ilumina quem queira chegar ao final de um capítulo, ou mesmo de uma história. Um astrolábio que guia os leitores para definir a latitude e longitude do objectivo proposto quando se iníciam viagens longas ou curtas nas ondulações das páginas de um (...)
12.Ago.22

Só a resiliência de alguns leitores...

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A sombra da oliveira não se estende o suficiente para proteger as histórias da atroz temperatura do sol. Os dias nas aldeias da minha terra nesta época do ano são quase sempre infernais, só a resiliência de alguns leitores, atenuam o calor bravio. É por eles que a biblioteca ambulante consome o alcatrão das pequenas estradas que levam as histórias. Também o é pelos outros que a espreitam, ainda sem afoiteza para se aproximarem, a curiosidade é evidente. Todas as vezes que a (...)
11.Ago.22

Uma provocação...

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No regaço do bairro as histórias tentam abrigo nas fracções dos prédios que preenchem o que foi em tempos, hortas, olival e mais para trás o local onde existiu um convento. Saíram os monges, voltaram outros, famílias encaixadas umas nas outras que não dão importância às histórias que os informam da importância histórica do lugar. São poucos os que desafiam as palavras, entram no café, sentam-se na pequena esplanada defronte da biblioteca ambulante e não se passa nada. (...)
10.Ago.22

Tudo ao redor desaparece...

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A luz brilhante do sol em Martinchel não atrai leitores à biblioteca ambulante, junto das tílias as histórias protegem-se na sombra destas árvores. O odor que as suas flores libertam não se faz sentir ainda, não estão prontas para as infusões que abrandam a velocidade, muitas vezes furiosa das pessoas. A leitura não tem cheiro, apenas na imaginação de cada leitor, destapando as brochuras dos livros solta-se a fragrância  das folhas causada pela impressão das letras. (...)
08.Ago.22

Darão colheradas saborosas de leitura...

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Na aldeia das Bicas a temperatura está como a água na panela para a sopa. Os leitores e as leitoras  trouxeram os ingredientes para o caldo de letras, misturados, mexidos e temperados darão colheradas saborosas de leitura. As palavras e as frases serão engolidas sem insistência, o contrário acontecia quando éramos pequenos, as mães segurando a colher cheia, contando histórias para abrirmos a boca. Mas as histórias pedem mais tranquilidade, as letras não se esgotam na (...)
05.Ago.22

Afinal um pouco mais ...

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A aldeia está a desaparecer, foi esta a primeira frase que a leitora disse ao entrar na biblioteca ambulante. Efectivamente é isto que se passa nesta e noutras onde as histórias permanecem aguardando pelos leitores. Aldeias pequenas, outras maiores, lugares plantados no meio destas, onde as pessoas deixam de ser vistas, originam  aos que ainda cá andam a sentenciarem a própria aldeia onde vivem. A qualidade existe para quem opte viver nestes locais determinados na charneca ou (...)
04.Ago.22

Quem diria...

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Quem diria que o grande plátano na sua sobrançaria tem a dignidade de abrigar histórias na aldeia do Vale Zebrinho. Árvore que viu, e ouviu histórias do passado da sua aldeia, continua acolhendo as do presente, conseguindo ainda abrigar as histórias dos outros. Aqueles que não estão presentes no momento, mas que regressam sempre na biblioteca ambulante. Esta, incansável tem pois no plátano o cais, pelo qual as histórias do universo saem. Assim quem por aqui atravessar pode (...)
03.Ago.22

Flores ou poemas...

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Há dias que a construção de uma história é laboriosa, enfrentar a ausência do tema, conceber de forma diferente o texto, palavras que não saem, frases escritas para serem imediatamente eliminadas. É como conduzir um automóvel aos solavancos. arranca e para até descobrir a velocidade acertada. Podia começar a escrever que a manhã foi macia demais para o mês em que estamos, quase que chovia, mas não passou disso. Ou então a aldeia da Amoreira onde a biblioteca ambulante (...)
02.Ago.22

Parecia que aquelas pequenas luzes...

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O homem velho estava com  um  olhar radiante, manobrava o volante da biblioteca ambulante tentado estacionar o melhor possível, logo ali na entrada da porta da sua casa os seus olhos cintilavam. Parecia que aquelas pequenas luzes me queriam iluminar o local onde iria demorar-me. Ao lado, a sua filha sentada, deduzi que as férias a tinham trazido à aldeia visitar o pai. Lembrei-me da conversa que tinha tido com ele na última presença da biblioteca ambulante na aldeia, a sua mulher (...)