A beleza do inverno ...
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Por estes dias o sol é o melhor amigo das pessoas nas aldeias da minha terra. Quem mais aproveita esta amizade são os velhos, aquecendo os corpos carcomidos pela passagem do tempo. Nas ruas, muitas destas, únicas, abrindo as aldeias a lado nenhum, levando o lamento do silêncio, a resignação. É vê-los sentados no limiar das portas da entrada das suas casas, sentados em pequenos bancos, abraçando o calor do sol, olhando o tempo sem novidades. Mas, também levam a biblioteca ambulante, as histórias, a informação. São poucos os que não deitam fora a oportunidade de estarem em contacto com o conhecimento. Os outros, não sabem ler, não ligam importância, não têm hábitos de leitura. Os dias andam devagar, são desinteressantes, é um dia de cada vez, esperam a morte que os levará de vez, da rua, da porta de casa. São memórias, quando a biblioteca ambulante voltar a passar nas ruas outra vez. A beleza do inverno, não é a mesma beleza, nas outras paragens do tempo, os passageiros são outros, a permanência é diferente.