A biblioteca ambulante faz ...
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O frio estabeleceu-se de madrugada nas aldeias da minha terra, gelou os mais distraídos, resultado do acto eleitoral para as presidenciais, no conselho. Da deliberação do inverno, rigoroso, indiferente, à reclamação das pessoas. Ajustam-se perfeitamente a afluência de leitores presentes na biblioteca ambulante, na preferência dos candidatos mais votados nas freguesias rurais. Longe da cidade, a maneira de viver das pessoas foi sempre igual até aqui, não há actividades profissionais relevantes, nas aldeias onde interromperam o desenvolvimento, não podemos culpar sempre o tempo. O tempo são os momentos onde não houve melhorias nestas aldeias. A leitura nestes lugares não está enraizada, são muito pouco os que gozam os prazeres da leitura. Enganados, revoltam-se, colados nas palavras fáceis, às mãos cheias nas redes sociais, desinformados da realidade, agasalharam-se na mentira. Admitindo como verdadeiro a intenção da ilusão, uma sedutora que os poupa da tristeza, e da solidão. A biblioteca ambulante faz o melhor que pode, as pequenas bibliotecas, fixas em algumas freguesias foram descontinuadas, assim como as escolas, as crianças passaram a frequentar centros escolares, com bibliotecas. Não se vêm as crianças nas ruas das aldeias, os avôs, os irmãos mais adiantados na idade, deixaram de os levar e trazer. Agora vão de autocarro, táxi, para o centro escolar mais próximo da sua aldeia. A pouco e pouco vão tomando o gosto por outros lugares, a permanência nas aldeias será cada vez mais escassa. O sentimento de sublevação irá manter-se enquanto continuar o desrespeito pelas aldeias e as suas pessoas.