A biblioteca ambulante não é uma ...
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Em Alvega, o largo do coreto pôs em condições o monte de lenha, que irá ser consumida lentamente, durante os próximos dias, ultrapassando mesmo o final do corrente ano. Por aqui irão passar as gentes da aldeia, os forasteiros oriundos dos lugares próximos. O calor libertado em virtude da incandescência, a temperatura elevada, são favoráveis a ajuntamentos, de pessoas, de conversas, de muitas histórias. A enorme fogueira será a atracção da aldeia, ao redor desta, quando a noite cai em cima da aldeia, os rostos vermelhos, do calor, da bebida, de alegria, farão da aldeia um conjunto de acontecimentos sociais. A enorme fogueira afugentará o silêncio, enxotará o isolamento, irá ser a companhia dos aldeões. Também há outras maneiras de conforto, ao longo de uma leitura, a qualquer momento, o calor das palavras surgirá, nas emoções vividas durante a passagem das páginas de um livro. As histórias por entre as folhas cheias de criatividade, acontecem, iluminam o rosto dos leitores. Embriagados pela palavras, manifestam alegria, a acção decorrente das histórias que lêem não os deixam sozinhos, há demasiado ruído nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. A biblioteca ambulante não é uma fogueira como as outras, é um amor que arde sem se ver.