A chuva não foi meiga a cair, ...
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A neblina está presente na aldeia de Rio de Moinhos, são dez horas da manhã, e os casacos fazem parte da indumentária das pessoas. A primavera está a olhos vistos moribunda, não há dia em que não chova, sem sol, ou faça algum frio. Sempre que a noite chega, fico em apuros, em casa, num canto da sala, há uma manta de sobreaviso, para o caso de ser necessária, para me tapar. A lareira está fora de hipótese, a insuficiência de lenha, não alimentaria o vão aberto na parede, uma a duas noites seguidas. A solução, será a primavera de uma vez por todas, enfrentar os resquícios do inverno, empurra-lo para outro hemisfério. A esquina da rua, que desemboca na biblioteca ambulante, não deu sinal, até ao momento, da primeira leitora da aldeia a contorna-la, trazendo o saco com os livros para devolver. Apesar das nuvens o sol está desperto, agora, aquecendo melhor o viajante das viagens e andanças, a brilhar na aldeia. A chuva não foi meiga a cair, foi uma passagem breve, agora estão outras nuvens sobre a biblioteca ambulante dispostas a despejarem outra quantidade de água. A carrinha do peixeiro está a apitar. Chegou depois, e as freguesas já a rodearam. Uma quer chocos, a outra continua a observar tudo muito bem. Escolheu carapaus, leva dois sacos. Vais ser uma festa, com as brasas vivas, grelhando-os, de um lado e outro. Colocando-os a jeito para acompanharem com uma salada de alface e tomate. Fritos, no dia seguinte apanhando um dia de sol, deitados na cebola, não há escabeche melhor.