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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

14.01.26

A estrada é uma distração diária ...


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Finalmente o sol desprendeu-se das correntes que o prendiam, abriu os braços, envolveu as pessoas sentadas na esplanada. A biblioteca ambulante fez o resto, cercou-os com os jornais, deu-lhes a energia das palavras destinadas a informar. Apaziguou as vozes sempre ásperas destes fregueses, habituais no café. Lá dentro há outros, concentrados no jogo de cartas, não perceberam que têm os jornais à disposição, espalhados em cima das mesas. Hoje o grupo de pessoas na esplanada é superior ao frequente, nas tardes em que a biblioteca ambulante  está presente. Vieram dar as boas vindas ao sol, palavrear uns com os outros, diálogos sem sentido, misturando as conversas. Um momento animado  à beira da estrada, com os automóveis a transitarem ininterruptamente nos dois sentidos. A estrada é uma distracção diária para muitos destes, reformados, desempregados, vêm ver a via de comunicação terrestre. Imaginando viagens, irem por aí adiante num automóvel, conhecerem o resto do mundo. Segurando nas mãos uma história, o volante que os guiará na direcção da felicidade. A realidade é outra, a garrafa que seguram na mão, o cigarro na outra, seguem numa estrada perigosa, a única onde conseguem circular agora.