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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Farinha sem fermento (2Kg), azeite (1l), mel (500ml), açucar amarelo (1Kg), nozes (200g), erva doce e canela. Esta e outras fórmulas de ingredientes para fazer histórias doces trazidas do passado através da oralidade, escritas em papel, à pressa, para não se perder pitada. Tesouros açucarados a espreitarem a luz do dia sempre que há celebrações, é o caso das broas com a aproximação do dia de Todos os Santos. As substâncias são amassadas energicamente por mãos experientes, misturadas com palavras e histórias de outros tempos.  A infância, a família, os queixumes, são as lembranças e lamentações que se escapam entre os dedos cheios de massa. Todas as vezes que encaram a maleabilidade desta escrita expõem  sentimentos, escrevem sobre tradições, da sua aldeia, das suas pessoas. O tempo aqui não é demorado, num curto espaço, redigem-se, amontoam-se páginas de vida. O odor da erva doce invadindo ambos os espaços, de fazer inveja a um perfumista, aviva impressões sensoriais. Tal e qual, quando ficamos em alerta, ao que irá decorrer no capítulo seguinte de uma história. Não é fantasia, é real o que as histórias têm conseguido, a habituação à leitura, e a cumplicidade. Trouxe broas, pequenas histórias feitas com as mãos, a gratidão ainda é um reconhecimento na simplicidade das pessoas das aldeias da minha terra. 

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