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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

26.09.25

A leitura fica mais ...


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A copa das árvores estão agitadas, o calor faz-se sentir quando atinge quem se expõe aos raios certeiros. A tarde convive com as pessoas, sentadas na esplanada do café, caminhando na rua,  rumando em direcções diferentes. O outono está brincalhão, percorre o dia alegre, seduz-nos com o brilho do sol. A biblioteca ambulante está enamorada pelo outono, abriu as portas, escancarou-as, mostra a sua intimidade. Despiu-se, tem à vista as histórias, prazenteira, permite aos transeuntes espreitarem as palavras grossas. Os mais curiosos entram para bisbilhotarem as palavras delgadas, desimpedindo as entranhas, lendo as palavras com atenção. Nem todos são leitores habituais, foi o outono que os empurrou para a rua. Depois a biblioteca ambulante faz o resto. O vento sopra mais forte, brinca com as emoções das personagens das histórias. Agarram-se a linhas imaginárias para não voarem. As folhas menos resistentes nas árvores, deixam-se levar pelo vento, sem saberem onde vão pousar. A duração dos dias vai diminuir, mantendo-se sempre menores que as noites. A leitura fica mais vigilante, qualquer pessoa alheia à biblioteca ambulante, é capturada pelas histórias. A rede de palavras não as deixa libertarem-se do enredado de narrativas ficcionais, verdadeiras aos leitores mais atentos. As mensagens chegam  seja qualquer for a criatividade de quem desliza o aparo  nas folhas que o vento não consegue levar. Prendem-se na memória, nas árvores que morrem de pé.