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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

A leitura não é estranha ...

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As cegonhas perfilam-se nos postes destinados a sustentar os fios das telecomunicações ao longo da rua principal da aldeia, aos pares, nos ninhos, batem as mandíbulas rapidamente. Um sinal de alerta, um aviso da presença da biblioteca ambulante à população, presumo, seria bom se assim fosse. Habituadas à  passagem das histórias, lentamente de uma ponta à outra da rua, na qual estaciona defronte do mini-mercado ligado ao único café da aldeia. Os homens encostados ao balcão ainda estão dormentes, apesar de estarem de pé desde as primeiras horas do dia, a olharem para os copos de vinho vazios. Só assim expulsam o torpor, aquecem os ossos, bem precisam com o frio que se sente. As nuvens cinzentas hospedeiras da água, deixam cair alguns pingos que em breve se transformarão em rios nas bermas da demorada estrada. A cidade lá em cima no cabeço deixa aproximar-se o casario de cor branca ao sopé em Alferrarede. Aquela que foi a freguesia mais industrializada do território das viagens e andanças, sobrevive sob as asas do tempo, reinventa-se urbanisticamente, com prédios altos, cheios de fracções habitadas por pessoas jovens. Comercialmente,  as casas de fast-food, clínicas médicas, agências de viagem, com máquinas de lavar roupa, cafés, proliferam de mãos dadas com as grandes superfícies, onde aos magotes as gentes da minha terra se abastecem de tudo um pouco. A leitura não é estranha por aqui, em tempos houve uma pequena biblioteca fixa que se perdeu com a fundação da grande biblioteca municipal António Botto. Actualmente a biblioteca ambulante atrai as pessoas deste lugar, na sua maioria idosas, leitoras desde sempre, iniciantes que se acostumaram à sua participação social nas instituições visitadas. Uma conquista realizada paulatinamente itinerário após itinerário.

 

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