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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

18.11.25

A refeição preparada para o ...


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A charneca está brilhante, as gotículas de água estão em todo o lado, beneficiando o viajante das viagens e andanças. Não é o país das maravilhas, mas podia ser, cintilante, com histórias para todos na biblioteca ambulante. As pessoas nas aldeias da minha terra não desistem de colher a azeitona, após a paragem forçada, provocada pela visita da Cláudia, os panos verdes voltaram a rodear as oliveiras. Os homens e as mulheres chicoteando com as varas os ramos, agora, com a azeitona mais grossa, depois de ter resistido há inquietação da Cláudia. A roupa no estendal aproveita o sol da tarde, para deixar correr os segredos da cama, as conversas, o sentimento intenso, os sonhos, de quem acorda e se deita todos os dias na aldeia. Entrar no café Areias é como explorar uma gruta às apalpadelas, com cuidado para saber onde se põe os pés. Está sempre na penumbra, sem ninguém, os jornais ficam colocados em cima da mesa. Como fazemos quando deixamos alimento aos animais que não têm lugar fixo. Se voltar algumas horas depois, os jornais não estão no mesmo sítio, desapareceram, ou estão deslocados sobre as outras mesas. Os dias estão mais pequenos, rapidamente a noite cai sobre a aldeia, quem trabalha afastado, chega a casa com a escuridão instalada. A refeição preparada para o jantar, e com a roupa da cama pronta para outra página de histórias.