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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

A sombra não é a mesma ...

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O sol está encolhido, tento descobrir a áurea sem sucesso, o nevoeiro muito unido impede a sua visibilidade, uma barreira impossível de transpor. Na rua as pessoas andam vergadas  com as mãos nos bolsos, apressadas a fugir do frio. A caminho das aldeias da minha terra, no alto do meu lugar de condução da biblioteca ambulante sou um privilegiado por conseguir mesmo a fugir, observar pequenas actividades laborais ao longo das estradas que levam as histórias. As mulheres que equilibram os baldes cheios com o que tiram da terra, emparelhadas, uma atrás da outra, na berma da estrada, bambaleando o corpo que outrora seduziu olhares por quem se apaixonaram, de maneira a manter o equilíbrio daquilo que levam na cabeça. Um ou outro homem empurrando um carrinho cheio de lenha recolhida na charneca, o que a natureza rejeita eles aproveitam, os galhos desprendidos pelo vento, quando sopra com violência. Dobrados nas hortas, manobrando as roçadoras, arrancando as ervas que voltaram a crescer após as últimas chuvas, o gado remoendo as ervas dos pastos, um sem número de ocupações a que não damos importância mas necessárias  para manter a sustentabilidade. A sombra não é a mesma no lugar onde os leitores se juntam com as histórias, as folhas amarelas soltam-se dos ramos com o avanço do outono. São páginas de uma história arracandas pelo vento que irão tornar fértil a terra onde irão nascer novas árvores, na biblioteca  convencerão novos leitores.

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