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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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Os homens ao sol assemelham-se aos lagartos, apesar de manterem a temperatura independentemente do meio, ao contrário dos lagartos, incapazes de aquecerem os seus corpos sozinhos. A conversa desenrola-se entre eles sem obstáculos, as palavras saem em catadupa. Uma mulher aproxima-se, traz uma vara comprida numa das mãos, na outra um balde cheio de panos. Revela que andou a colher azeitonas nos terrenos declivosos que por aqui existem. Ainda me lembro de ouvir falarem do frio, dos dedos das mãos cheias de frieiras por andarem a colher a azeitona que caia na terra coberta de geada. Agora pouco falta para o sol atingir o seu lugar mais alto, com a temperatura a atingir os 30°. Alguns leitores andarão empoleirados nos ramos mais grossos das oliveiras, como procedem os trapezistas, a ripar a azeitona, onde as varas não conseguem alcançar os pequenos frutos de cor meio verde, meio preta. Ficam as histórias para trás, na próxima visita à aldeia virão com vontade de ler ainda mais.