A Maria Castanha sacode ...
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A tarde abriu as páginas, deixando para trás o rosto cinzento da manhã, o princípio desta, as horas e minutos do tempo do período matinal, mostra agora palavras talentosas. Atingem os leitores, alertando-os da presença do sol na vila. Instiga-os a dirigirem-se à biblioteca ambulante, ao assador de castanhas, libertando fumo. O odor das castanhas assadas impregna o ar, entrando sorrateiro no espaço das histórias. À espreita, fazendo esforços para fugir da história, a Maria Castanha desdobra-se, para tentar agarrar as castanhas quentes a saírem do assador para os cartuchos de papel, improvisados, por folhas de jornal. Notícias, pequenas histórias, crónicas, aquecendo as mãos dos leitores extemporâneos. Alertados pelo cheiro irrompendo pelos ruas adentro, os vizinhos, nas ruas próximas, olham curiosos para o sítio onde o homem agita o ar com o abano para que as brasas não percam vigor. Vejo-os passarem defronte da biblioteca ambulante com os sacos de papel rechonchudos de castanhas. A Maria Castanha sacode os dois braços esperançada que a vejam apoiada na palavra corrimão, para conseguir alguma castanha oferecida. Infelizmente, não teve sorte, distraídos, lendo, as histórias nas folhas enroladas dos jornais, nem para a biblioteca ambulante olham. Foi assim que a tarde se perdeu no texto, até a noite cair nas aldeias da minha terra.