Andamos assim às turras com ...
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Na aldeia das Bicas, o sol rompeu com o cinzentismo dominante desde que o dia amanheceu. Uma revolução celestial que terminou de vez, na aldeia, com a opressiva pluviosidade. A biblioteca ambulante tem as suas portas abertas de par em par, sem condenações ou repressão social. Todos podem aproximarem-se, entrarem, sem se molharem no exercício livre da leitura. A primeira metade do dia foi bastante opressiva, a chuva não permitiu quaisquer ligeirezas, naqueles que gostam de ler. Não apareceu nenhum leitor, um passo fora de casa, e a punição caía imediatamente nas suas cabeças, uma guilhotina de gotas de água acertando em cheio na capacidade de tomarem a decisão de irem ao encontro das histórias. A temperatura subiu, não é necessário usar a camisola, basta a camisa de mangas curtas. Andamos assim às turras com este tempo completo de incerteza. São as guerras, o orçamento, a ressaca dos incêndios, decisões que teimam a encontrarem os caminhos certos. São as indecisões na história que se escolhe, quando não está a que foi fisgada na última visita. As árvores dançam felizes, aproveitam os últimos dias, antes de se despirem, para receberem o inverno na cama. Nuas farão amor durante os dias frios, nesta fúria ouvir-se-ão os gemidos do vento, os espasmos da chuva e do gelo. Os ecos farão a primavera despertar, as árvores voltarão a vestirem-se. O ponto de partida para lermos as palavras novas, regressarem as sombras, o ar fresco que estou a receber neste momento.