Aos olhos do gato ...
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Não há velhos sentados nos bancos de pedra, no largo da aldeia. O miar do gato não é pacífico, saí-lhe da parte mais profunda do ventre. Faz saber no largo, a insatisfação pela insensibilidade da ausência de calor. Na aldeia o frio sobrepõe-se cada vez mais ao entusiasmo, neste lugar. A impaciência do gato é audível na biblioteca ambulante, perturba as personagens das histórias. Não há leitores para os ler, o ar frio está vivo e forte na aldeia. A aldeia é um assento de pedra, frio, sem encosto. É preciso travar a indiferença com uma almofada para o assento, um recosto para a cabeça, ou mesmo um travesseiro, para se estar refastelado comodamente. Assim o gato deixa de miar, aproxima-se, enrosca-se nas pernas, salta para o colo a pedir carinho no costado. A sombra da tília cobre a totalidade da biblioteca ambulante, os gatos nesta aldeia, não se deixam ver, não ouço miados, só o vento faz barulho, interrompendo o silêncio. Atravessando no meio da árvore, arrebatando as folhas de um lado para o outro. As nuvens expressam-se de forma variada, obras, inspiradoras, literárias, aos olhos do viajante das viagens e andanças. Aos olhos do gato como serão, estará tentado a lambe-las, marcando-as como sua propriedade. Ou amassando-as para lhes extrair histórias, das aldeias onde passam. A curiosidade leva-o a escalar até alcançar a nuvem mais próxima. Abrigar-se para um sono retemperado, sair da aldeia, como outros o fizeram, em busca de afecto, de uma vida mais intensa.