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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

04.02.26

As histórias mergulham ...


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Nas aldeias da minha terra a chuva não desiste facilmente, reduz as possibilidades dos leitores de recorrerem com regularidade à biblioteca ambulante. As histórias mergulham numa solidão inferior há dos leitores, as palavras não conseguem estar à tona, na corrente de águas pluviais. Salve-se quem puder, dizem as letras umas para as outras, separando-se das palavras, nadando na direcção das margens. As páginas brancas não dão leitura nenhuma, instala-se nas aldeias da minha terra um despovoamento. Insatisfeito, não sei quando terei outra vez as histórias cheias de recheio, com as palavras certas na sucessão de acontecimentos nos enredos. A precipitação não quer renunciar, o céu que cobre as aldeias da minha terra, é um mar de cor cinzenta, aberto, sem espaços limpos que perturbem a pluviosidade. No itinerário entre as aldeias, acompanhando a biblioteca ambulante, o campo, é o lugar onde as enormes árvores tombadas em consequência da robustez do inverno que estamos a viver, encontraram a tranquilidade para se misturarem no solo. Fertilizando-o,  como as palavras descontraidamente fazem quando se envolvem nas folhas brancas. Há intimidade entre o leitor e a história.

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