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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paulo Auster

19.Set.19

As histórias nunca se acabam

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Opostamente a tarde nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, resiste ao avanço do outono na parte inicial do dia. Séculos atrás foi um casal rodeado de charnecas, por aqui alicerçaram, está transformado numa aldeia, desunida topograficamente por um espaço intermédio lotado de várias hortas bem delineadas. No Brunheirinho a escassez vai para além dos leitores, voltam ao anoitecer, dão uma espreitadela na horta, nos animais de capoeira, recolher o gado ovino e caprino, quando a necessidade urge ainda usam a enxada para revolver a terra, utilizar a extinguível água do poço para animar as hortaliças, não têm tempo para mais nada. As histórias são subestimadas inconscientemente, não sabem ler, muito trabalho agrícola, a renitência, até a vergonha. Adolescentes quase nenhuns, tem dias em que se aproximam, têm temporadas em que se afastam, a biblioteca ambulante permanece teimosamente unida junto da outra fonte, cuja água refresca quem tem sede. A sensação causada no viajante das viagens e andanças pela falta de leitores é igual á sede pela privação de água, a diferença está no que corre na bica e na biblioteca ambulante, as histórias nunca se acabam!