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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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Envergonhado, o sol, lá apareceu para dissipar as brumas e aquecer um pouco as aldeias da minha terra. Duas mulheres disputam entre si os mexericos importantes que cada uma tinha a revelar, depois de alguns dias afastadas do escasso meio social da aldeia. A chuva, a colheita da azeitona, ocupou grande parte da semana que passou, impediu os aldeões de se concentrarem uns nos outros. A tarde acanhou o sol, o frio nas aldeias do norte faz com que o fumo se escape pelas aberturas das chaminés,  isoladas no topo dos telhados expressando altivez. Capturam as histórias, a solidão, os costumes das aldeias, as conversas nas noites longas do inverno, as palavras escritas nas lareiras, cozinhadas nos fornos a lenha. Transferido-as para um meio ambiente poluído, pelo esquecimento e pudor das maneiras de viver num interior de fraca densidade populacional.  A chuva regressou por breves momentos e voltou a desaparecer, foi uma visita como a dos filhos das aldeias quando regressam nas férias, e ao fim de semana. A biblioteca ambulante é a chuva aguardada por alguns, traz a esperança, deixa a saudade.