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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Como folhear as histórias

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Na aldeia da Ribeira do Fernando não se vê ninguém, a biblioteca ambulante avança devagar pela rua principal, o sol ilumina hortas e quintais, os ramos de oliveira, espalhados nos terrenos, são indício até para os menos informados, que a colheita da azeitona por aqui foi efectuada. Alguns destes aldeões já têm o seu azeite depositado em garrafões ou vasilhas próprias para o efeito, a sua durabilidade irá até ao Outono do próximo ano, irá inundar pratos de bacalhau, de couves e batatas, aromatizará saladas, sopas, na doçaria emprestará o sabor a bolos e sobremesas. Ensopado no pão ainda é a melhor maneira de o saborear, tal e qual como provar as primeiras palavras de uma história. Devagar poisamos os olhos na página de rosto, mudamos a folha, vem o prefácio, a seguir o príncipio da história, se for boa, já não conseguimos parar. Assim é com o degustar do azeite no pão, com cautela observamos o óleo, é feita uma leitura rápida da sua aparência, progredimos com o pão na mão na direcção do prato, lentamente o pão entra em contacto com o azeite, por fim calcamos o pão, até ficar encharcado naquela cor dourada, se agradar queremos o azeite para além do alimento. As laranjas também se vão aproximando da sua finalidade, muitas vezes saem dos ramos que foram o seu cordão umbilical violentamente, a sua casca gera deliciosos licores, do seu sumo não se fala, tal é o bem que faz, comidas com a mão é como folhear as histórias.

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