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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Completar o dia a ler

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Após se ter demorado na aldeia de Martinchel, onde nada aconteceu, a bibliotecca ambulante partiu nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra á aldeia do Carvalhal. Ao contrário da primeira, onde o trânsito automóvel não se esgota, a biblioteca parou numa rua sossegada, encostada ao posto de saúde, aproveitando a sombra. Mais um pouco, não tarda a surgir, vinda da sua casa, aqui ao lado, a Sulamita com uma história para devolver. Se a memória não me atraiçoar foi das primeiras a tornar-se leitora, meses depois foi a sua avó a render-se, esta tem preferência pelas revistas de bordados e culinária. O ar fresco que corre, torna-me mais activo, não fico colado ao banco derretendo, sem reacção, bocejando várias vezes, até um leitor me salvar com a sua presença, de me transformar numa criatura inanimada. Aconteceu ontem na aldeia do Vale das Mós, não fosse o José entrar de rompante com as histórias dele e do filho para restituir. Logo se entabulou conversa para o resto da tarde, enquanto os seus olhos percorriam as estantes sedentos de história novas, o diálogo avançava, parava, quando questionava por um título, um autor, um filme. Obtendo a resposta, novamente a conversação continuava, ao ponto de se ouvir uma buzina soando na rua, foi espreitar, o filho dentro do carro, desalentado pelo calor aguardava por ele. Teimou em terminar o que estavamos a falar, só depois pegou nas histórias e lá foi cheio de vontade para completar o dia a ler.