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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Depois do fracasso o sucesso

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As férias terminaram, o dia amanheceu envergonhado com aparência agradável, perfeito para as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra. Mais logo matarei saudades das histórias, será que sentiram a ausência da companhia do viajante das viagens e andanças? Da condução da biblioteca ambulante, algumas vezes ziguezagueante consoante o esboço da via, do tropeçar involuntário menos bom do asfalto? Da marcha lenta ou acelarada que é obrigada para fazer acontecer? Das mãos grossas, das mãos delicadas, das mãos pequenas, que as seguram e exploram? Abri a porta, ali estão elas, alinhadas nas prateleiras, direitas, tal e qual um pelotão na parada de um quartel, disponíveis para combater a ileteracia, ajudar os literatos que nem sempre têm condições sociais e geográficas para alcançar as histórias. Fico feliz por muitas não estarem presentes, estão nos lares distantes do território das viagens e andanças, acompanham-nos nos dias de descanso, saltitam de lugar em lugar, na sala, no quarto, no terraço, na varanda, no campo, não os largam, nestes dias de afastamento são almas gémeas dos que as lêem. Na aldeia da Concavada, os lamentos do vento são cada vez mais agoniantes, ao mesmo tempo que o céu se torna carracundo. No largo os aldeões esgueiraram-se de suas casas para espreitarem um acontecimento, uma ambulância recolhe para o seu interior alguém com necessidade de ser socorrido com urgência. Com as mãos protegendo a vista do escasso brilho do sol, ali estão observando, infelizmente as histórias não são uma ocorrência que os faça tirar de casa, ainda assim nunca os deixarão de visitar, são teimosas. Sem leitores, seguiu-se no itinerário a aldeia do Pego, a tarde perdeu de vez a vivacidade e a biblioteca ambulante ganhou um leitor novo, depois do fracasso o sucesso.

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