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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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Subitamente o silêncio foi cortado pelas vozes estridentes das crianças a brincarem no pátio da escola. Formando pequenos grupos, a correrem umas com as outras, a disputarem lugares de relevo. Não sei o nome delas, podem ser o António, a Beatriz, o Carlos, a Deolinda, o Eduardo, a Fernanda, o Gonçalo, a Helena, o Isidro, a Joana, e tantos outros nomes. Crianças de pouca idade, aprendendo as primeiras letras, a lerem frases, textos completos, a construirem o futuro. O silêncio regressou, o sol brilha agora sozinho, num horizonte desprovido de nuvens. Sobressaem os ruídos habituais, os motores dos veículos, a betoneira a misturar a solidez de uma casa que se refaz, o som de um martelo a bater teimosamente nalgum prego reivindicando liberdade. Estamos reféns de políticas, de economias, da barbárie alojada nas mentes de loucos. Não somos pregos, temos liberdade para pensarmos, histórias para lermos, bibliotecas para sermos o que quisermos. Voltando às viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, com o sol mais baixo e a temperatura teimosamente elevada. Aguardo uma leitora, surpreendeu-me na última visita da biblioteca ambulante à aldeia da Concavada, não era leitora desta biblioteca, estava ligada umbicalmente à mãe, a biblioteca municipal António Botto. Veio com o intuito de levar uma história, trazia o nome da autora escrito num pedaço de papel, infelizmente não a levou, não existia no acervo da biblioteca ambulante. Escolheu outra, prometi traze-la, já veio, levou-a entusiasmada por ir iniciar outra leitura. Destas pequenas coisas se criam os dias, as viagens e andanças, o bibliotecário ambulante, as histórias.

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