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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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Entrei na aldeia do Vale das Mós, pelo acesso orientado a norte. A rua mais importante, rasga a aldeia do princípio ao fim, nela estão alojados os cafés, a padaria e pouco mais. Leva a biblioteca ambulante ao encontro dos leitores, é uma direcção para outros destinos. As aldeias da minha terra são os prefácios da cidade, têm poucas palavras, são lugares de passagem, lidos em pouco tempo, explicam as motivações das pessoas para as abandonarem. Dão os pormenores, como os textos das histórias se formam, como a cidade tem muitas mais palavras. São pequenos textos, onde os olhos pousam raramente, porque a história, a cidade, estão logo ali adiante. Na cidade há demasiadas palavras, dialectos, histórias que nunca mais acabam. Na cidade explanam-se as narrativas, há possibilidades de voarem, há sonhos e paixões a acontecerem. Os prefácios são o princípio das páginas, a história lesse entre os limites do território destas. Nas aldeias começa a existir a história da cidade, a história das aldeias, é por isso, a história da cidade. No início a cidade nunca foi uma imposição, até ao momento, que o trabalho se transformou numa carência nas aldeias. Na cidade há sempre espaços em branco, nas páginas, dispostas a receberem as palavras, o linguajar das pessoas das aldeias. É importante lermos os prefácios, são eles que nos preparam para a compreensão da história.