Estão o tempo todo nisto, ...
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No largo do coreto em Alvega, o monte de lenha, posto a arder nas vésperas do Natal, continua fumegando lentamente. As mesmas pessoas, continuam apoiadas na parede onde está a porta da entrada do café. Sem emprego, estão amparadas nos parcos subsídios, oriundos do fundo de desemprego, da segurança social, da boa vontade das pessoas. Deixam o lugar momentaneamente para se aquecerem no lume que resiste à chuva, à geada, ao tempo que anda devagar nas aldeias da minha terra. Voltam para o apoio, sem antes passarem pelo interior do café, para saírem com a boca no gargalo na garrafa de cerveja. Estão o tempo todo nisto, olhando-os nos olhos, estes estão vermelhos, não deixam atravessar a luz, tornaram-se densos, pela inutilidade em que a vida destes homens se transformou. A meio da manhã, o frio não dá tréguas, apesar do sol estar na sua plenitude, no mesmo desenvolvimento, está a ausência de pessoas na aldeia no Tubaral. Exceptuando uma leitora que entrou na biblioteca ambulante, e uma recente habitante na aldeia, cuja curiosidade a puxou, para verificar que carrinha era aquela estacionada no largo, à porta da sua casa. As sombras animam os muros e paredes que rodeiam o largo. São as únicas a movimentarem-se, realizando delineamentos no mar de cal. Regressei a Alvega, onde a sombra é a vencedora no largo do coreto, ainda assim ocupando uma posição secundária, ao braseiro exaltado, encorajando os mais friorentos a aproximarem-se. Há folhas a bailarem nas árvores que cercam o largo, resistem ao progresso do inverno, há nudez na leitura das pessoas da aldeia.