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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

12.09.24

Folheavam apressadamente ...


historiasabeirario

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Entrei no café, a televisão falava com eles, rostos direccionados para o enorme écran colado na parede. Um filme do far-west  tirava-os da realidade, com personagens interpretados por actores que os influenciaram na juventude. Pousei os jornais nas mesas ocupadas, uns continuaram como estavam, outros atiraram-se aos jornais. Enquanto saboreava o café, observava como olhavam de frente para as letras do jornal que liam. Havia quem enfiasse a cabeça no meio das páginas, ou se debruçasse, com o jornal em cima de ambas as pernas. Folheavam apressadamente, para lerem tudo ao mesmo tempo, ou ficavam longos minutos na mesma página. Um via as imagens, não conseguia ir mais além, pouca ou nenhuma instrução no seu crescimento impossibilitou-o de ler. A experiência é positiva, deixaram fugir as figuras fictícias a cavalo na televisão, para leram as notícias nos jornais, meditaram no que leram, conversaram sobre algo que não tinham conhecimento. Isso é bom nas aldeias onde não se passa nada, onde o tempo passa devagar, a verem os automóveis a transitarem na estrada que atravessa a aldeia, sentados na esplanada do café, a beberem cerveja. É fácil observar a biblioteca ambulante estacionada, no largo, defronte de um estabelecimento, a meio de uma rua, na sombra de uma árvore. É difícil de avistar a sedução ou o enamoramento, a conquista, o amor que não se vê, o trabalho necessário para capturar um leitor. Os dias de frustração, onde não acontece nada, ter sobre si o calor e o frio, os que vêm as más decisões, as respostas incorrectas, sem nunca experimentarem as viagens pelas aldeias da minha terra. Ser bibliotecário ambulante é paixão, gostar de ler, gostar das pessoas, identificar-se como uma delas, nas suas aldeias.