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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Gerar futuros leitores

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Fui ver o rio outra vez, desta vez estava resignado, com o tempo enevoado, arrisquei caminhar numa rua da Aldeia do Mato, onde só os meus passos ouvia. Nos beirais dos telhados, os pardais atordoados por tanta tranquilidade, assustam-se à minha passagem. Perto do miradouro, um som familiar chega-me aos ouvidos, a lâmina de uma enxada a ferir a terra, rasgando-a de seguida com violência. Uma mulher e um homem quebram o silêncio tratando a terra, as suas entranhas são escuras, é o início de um processo no qual através de sementes depositadas, seguidas umas atrás de outras, onde germinará a planta, mais tarde a flor, finalizando com a extracção do tubérculo rico em amido. Caso semelhante é o da biblioteca ambulante e as suas histórias, ao propagar estas nas viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, assim como colocar sementes na terra, é gerar futuros leitores.