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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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A primavera continua frouxa, boa para as pessoas alérgicas ao pólen. Assim como eu, enquanto esta sobe pelos próprios meios, apesar das investidas de alguns elementos naturais mais perturbadores, até ao verão. A sensibilidade às substâncias microscópicas vagueando aleatoriamente no ar, não me deixam descansado. Há uma árvore alta, perto do local onde a biblioteca ambulante permanece, no meio da folhagem, saltitando de ramo em ramo, os pequenos pássaros levam uma existência cheia de liberdade. A liberdade que as palavras encontram nas folhas brancas, perpetuando os pensamentos daqueles que escrevem, até ao final dos tempos. O sol de tarde revela entusiasmo e vitalidade, o mesmo não posso afirmar acerca de algumas partes do meu organismo. Os olhos choram sem nenhuma razão plausível, o nariz começa a estar um pouco roufenho, e o vento não mostra bondade. Complica, levantando as poeiras, e todas as outras matérias irritantes. O clube de leitura na vila do Tramagal, no seu próximo encontro vai ler e discutir Paul Auster. O livro escolhido irá ser «Da mão para a boca, crónica de um fracasso inicial». A biblioteca ambulante não o tem no seu acervo, após uma pesquisa no catálogo, encontrei dois exemplares no depósito da biblioteca municipal António Botto. A leitora que o solicitou ficou assim a saber onde poderá ir ao seu encontro. Até ao próximo regresso da biblioteca ambulante à vila, o tempo fica curto para o ler de uma ponta à outra. Uma vez por mês um grupo entusiástico de leitores reúne-se numa sala cedida pela junta de freguesia. Os leitores nas aldeias da minha terra, escasseiam numas, envolvem-se com as histórias noutras, descobrem-se outros ao longo das viagens e andanças. É uma acção grandiosa protagonizada pela biblioteca ambulante, um poema onde não há, palavras suficientes para expressarem as emoções, o quotidiano das pessoas nas aldeias da minha terra.