Já se vindima na aldeia ...
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O frescor matinal entusiasmou os habitantes da aldeia de S. Facundo, a leitora habitual, num abrir e fechar de olhos renovou as histórias, o viajante das viagens e andanças escreve com agilidade a sua crónica. Querendo antecipar-se ao calor do meio-dia, os rostos sorridentes passam perto da biblioteca ambulante, mexendo as bocas, saudando o bibliotecário. Já se vindima na aldeia da Ribeira do Fernando, sei isto pela mulher de um leitor, pelo telefone disse-me que o Manuel não pode trazer as histórias, ele e mais alguns andam a colher as uvas maduras. Há muito que observo nas vinhas os cachos gordos e roxos, pendurados, expõem-se sem vergonha, são poemas libertinos, fáceis de comermos os seus bagos doces. No vinhedo, munidos de tesouras e cestos, chapéus na cabeça para se protegerem da violência do sol, andam mulheres e homens. Terrenos abertos, páginas de plantas perfiladas, onde as letras suspensas são aptecíveis aos olhares conhecedores daqueles que as vão colher. O melhor está ainda para vir, na mesa, após um período de amadurecimento, de uma nova leitura, ouvindo as palavras dissolvidas nos copos. Escorrendo nas gargantas sequiosas de temas, capacitando os mais tímidos de falarem sem receios.