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Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

Histórias à Beira Rio, viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra

"Afinal, a memória não é um acto de vontade. É uma coisa que acontece à revelia de nós próprios." Paul Auster

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A pacatez do largo Motta Ferraz nas primeiras horas da manhã, os lugares onde param veículos desocupados, a fachada norte da igreja da Misericórdia realçando o portal com o rasgo em arco de volta perfeita cercado por pilastras onde assenta o entabelamento com motivos decorativos, encimado por pináculos, com um medalhão onde está representada a Nossa Senhora da Misericórdia, mostra que estamos perante um edifício com história. Os poucos abrantinos que se expõem, arrumam novidades enquanto aguardam pela abertura dos serviços públicos, a esta hora a frescura dá dinâmica, os detalhes saltam inesperadamente á vista, nalguns a surpresa é grande, após anos a fio a caminhar pelos mesmos sítios. A biblioteca ambulante é aprumada com histórias acabadas de catalogar por mãos experientes que as acarinham, pela primeira vez as folhas são desembaraçadas do forte aperto da prensa. Por olhos que as lêem diagonalmente, que lhes atribuem um tópico, são inscritas no catálogo comum (Zhara) da biblioteca (António Botto), finalmente são instaladas nas prateleiras, todas preferem as viagens e andanças com letras pelas aldeias da minha terra, querem conhecer os povoados as aldeias, permanecer no campo, junto dos que estão remotos. A rotatividade comporta que todas elas experimentem as viagens e andanças, muitas vezes são os leitores a propor a prensença de histórias, por quererem conhecer, ter ouvido rumores, voltar a lê-las novamente.