Na obscuridade do interior, ...
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A chuva estabeleceu-se de forma duradoura nas aldeias da minha terra, há pedaços de tempo onde cai sem piedade, noutros tomba delicadamente sobre o largo, deserto. O céu cinzento parece abater-se sobre a biblioteca ambulante, não é a noite a cair, ainda é cedo para tal acontecer. É a antevisão de uma tarde sem leitores, não fosse a erva vivaz escapando-se por entre as pedras do largo, sobressaindo a cor verde, a tarde estaria a meia-luz. Não há vento, os majestosos plátanos assemelham-se a sentinelas, guardando a urbanização com o mesmo nome, em Alferrarede. A chuva cai mais vigorosa no espaço aberto, sobre as histórias. Na obscuridade do interior, na biblioteca ambulante, a música sai pelos altifalantes, traindo os personagens clausulados nas brochuras. Lá fora, os bancos do largo estão vazios, de palavras, de troca de ideias, a mesa está cheia de coisa nenhuma, os plátanos dão nas vistas, são os guarda-costas do outono.